Sob o olhar de Deus


Anelamos pela ventura dentro d’alma, a estender-se por entre os nossos amores, sejam os corações do lar ou aqueles que nos compõem o círculo dos demais afetos, embora sem muita noção de como isso possa dar-se.

Esperamos, com ansiedade, os movimentos da sorte a felicitar-nos com as oportunidades bem-aventuradas de progredir, de vencer no mundo, de superar os problemas em torno e usufruir bênçãos de paz, muito embora encontremos dificuldade em implementar ações que possam ativar essa espera.

Ocasiões existem em que nos contristamos perante a enfermidade que golpeia o corpo físico e lhe impõe dores e rudes transformações.

Sem sabermos como lograr a superação dessas provas, tombamos na frustração de nos sentir impotentes, incapacitados para deter a onda que faz periclitar a saúde.

Há quem se desespere ou mesmo enlouqueça à frente do fenômeno da morte biológica, que desestabiliza a crença numa fantasiosa imortalidade corpórea, alimentada pelas almas ainda ignorantes quanto às leis evolutivas que regulam a vida planetária.

À frente dessa fatalidade orgânica, o sentimento de dor profunda costuma toldar a razão, inibindo o discernimento, apanágio de quem alcançou alto nível de bom senso, para chafurdar nos mais variados níveis de depressão emocional, motivadora de alterações infelizes no psiquismo de muitos.

Sem entender o porquê da morte, seguimos pelo mundo amedrontados, e desenvolvemos na trajetória humana tipos de apegos plenamente injustificáveis para quem busca ajustar-se às orientações de Jesus.

Quaisquer que sejam os fenômenos da sociedade terrena, os movimentos demonstradores da grosseria em que ainda se encontram os humanos: a violência doméstica ou urbana, a corrupção em todos os níveis, o abandono das pessoas por quem as deveria proteger, nada escapa ao conhecimento do Senhor da Vida, e, se nos está sendo permitido viver tais desencantos é por que há razões que os impõem a todos nós, sem que estejamos esquecidos por nosso Pai.

Na Terra, estamos todos sob o comando das divinas leis do nosso Criador, coordenados por elas, a elas devendo nos aclimatar nos exercícios da fidelidade.

Os trabalhos, os progressos, as pelejas, as dificuldades, as dores e a morte fazem parte das peripécias que caracterizam os orbes de provações e de expiações, como é presentemente a situação do nosso mundo.

A Inteligência Suprema age para que nos tornemos venturosas almas no seio dos astros que vibram nos espaços. Cabe-nos, assim, o dever de viver com o justo respeito à consciência, operando o melhor pelas estradas terrestres, até que adquiramos a consciência de que seja o que for que nos suceda, estamos e estaremos sempre sob o olhar de Deus e, por isto, é nosso direito o de ser felizes, cooperadores lúcidos das normas da Divindade, guardando a certeza de que rumamos, de modo indefectível, para a Grande Luz, para o Amor perene e para a indestrutível Paz, no seio do nosso Pai Criador.

José Lopes Neto
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 27/07/2005




Raul Teixeira responde sobre o carnaval


– O carnaval vai se transformar ou será extinto?

Raul Teixeira: O carnaval não precisa entrar em extinção. Ele precisa voltar às bases da alegria verdadeira. As pessoas têm direito à distração e ao contentamento. Sabemos que as culturas permanecem, mas vão sendo transformadas de conformidade com as épocas.

De acordo com o tipo de Espíritos reencarnados em determinadas épocas, as festas culturais, herdadas de nossos ancestrais, vão tomando características diferentes. Isso ocorre com quaisquer festas, seja o Natal, o carnaval, a páscoa ou as festas juninas.

O carnaval hoje sofre, infelizmente, a predominância da viciação, da violência e da pornografia, em função dos Espíritos pervertidos que participam dessa loucura. Se olharmos para o lado da descontração sadia, da alegria verdadeira, é claro que é uma festa positiva. Nosso posicionamento não deverá ser contra essa festividade, que pode se dar em qualquer época do ano.
Devemos, sim, ensinar às criaturas a saber usar bem a sua liberdade e a oportunidade de ser feliz, mesmo que seja através dos folguedos do mundo, uma vez que para os espíritas conscientes não pode haver espaço para improdutivos radicalismos ou para a ignorância quanto aos níveis de entendimento ou de desenvolvimento de cada criatura.
Extraído de entrevista realizada na sede da SEF – Sociedade Espírita Fraternidade, publicada no jornal Correio Espírita em março de 2007.




No trabalho profilático


O trabalho do Espiritismo dirigido à humanidade deve atender aos esforços da cura da alma, mas não deverá perder o foco quanto às lidas preventivas em nossa seara.

Tem sido comum a chegada de grandes levas de necessitados às instituições espíritas, tangidas por dramas intensos e dores pungentes, aguardando socorro para toda gama de dificuldades que se abatem sobre as suas vidas.

Ergue-se, porém, a urgência de tratar desses magotes de padecentes aproveitando o ensejo para vacinar a todos com as medicações que o Espiritismo oferece, a fim de se evitar a reincidência dolorosa.

Como é importante no seio do nosso Movimento o atendimento aos sofredores e perturbados da erraticidade, para que sejam liberados de tormentos e conflitos!

Será indispensável, contudo, que haja empenho nosso para que as populações sejam instruídas, orientadas para o bem, a tal ponto que não haja, no futuro, necessidade de novos enfermos desencarnados, tendo em vista que o Espiritismo pode prevenir, no íntimo dos seres, a eclosão das infelicidades que os conduzem às reuniões em que os padecentes são atendidos.

Como é indispensável o labor da evangelização da criança quanto do jovem, de modo a termos no porvir do mundo as almas devidamente preparadas, para os embates a serem superados, desde as fases iniciais da reencarnação, o que diminuirá as dores físicas e morais do Planeta!

Com esse mister evangelizador, a criança e o moço de agora lograrão a referida vacinação, considerando-se a condição de carência espiritual em que renasce na Terra a grande massa dos Espíritos.

A profilaxia é importantíssima para que, aos poucos, eliminemos os quadros de dores e de lágrimas de sofrimentos na Terra.

O trabalho da orientação dos mais jovens, desde a atualidade, diminuirá a quantidade de pobres materiais e de desditosos morais, uma vez que, embora o Espiritismo nos inspire o atendimento e o socorro a quem precisa, esclarece-nos, ao mesmo tempo, quanto às razões de haverem chegado à reencarnação com essas carências.

Somente o ensinamento do bem, iniciado no âmago dos lares e fortificado e emoldurado pelo trabalho de verdadeiros bandeirantes do amor fraterno, os evangelizadores, será capaz de dinamizar os planos do Criador para as Suas criaturas terrenas, e será desse modo que o glorioso Espiritismo atenderá, por nosso intermédio, à sua missão de consolador, sem qualquer dúvida, mas, fundamentalmente, expressará a sua marca de Verdade, que deverá acompanhar-nos até os tempos vindouros do Planeta, quando seremos, então, um único rebanho conduzido por um só Pastor, que é o nosso amado Jesus.

Trabalhar, sim, para resolver os enigmáticos dramas do mundo mas prevenir, também e principalmente, pois que há problemas no orbe que já não precisariam mais ocorrer nesses dias venturosos do Espiritismo implantado entre nós.

Benedita Fernandes


Mensagem psicográfica recebida pelo médium José Raul Teixeira, na Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, no dia 8 de novembro de 2008, em Brasília, DF. m 13.05.2009.




Um convite a mais


No momento presente, perante o desacato da Sombra frente aos esforços da Claridade, vimos convidar os amigos de boa vontade, dispostos ao serviço de renovação do planeta, a começar de si mesmos, para:

– Dedicar-se, com entusiasmo, ao imperativo de auto-conhecer-se;
– Aproveitar cada hora da lida terrena, para semear no campo das almas uma única semente que seja de fraternidade, de bondade, de amizade;

– Não permitir que se passe cada dia sem uma pausa para aprofundar meditação sobre a vida que esteja levando, sobre o mal que tenha conseguido transformar em bem e a respeito do amor que, aos poucos, esteja implantando n`alma;

– Voltar-se, sem esmorecimento, para o aprimoramento dos valores, dando-lhes sempre maior incremento, o que significa melhorar cada desempenho, seja no que for que conduza à vitória sobre si mesmo, sobre a ignorância que infelicita o mundo;

– Sentir-se sempre estimulado a impulsionar a vida para o alto, sem escandalizar-se com as aberrações em torno, mantendo a alegria de viver em cooperação com o Criador.

Aquele que aceitar esse convite a mais que Jesus Cristo nos formula, guarde a certeza de que estará diminuindo as rudezas do caminho, melhorando os contatos celestes e, assim, candidatando-se a mensageiro de Deus entre os irmãos do mundo.


Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, ditada pelo Espírito Ivan de Albuquerque em 24/02/2001, na Fazenda Recreio, em Pedreira-SP




Uma idade nova para o homem


Ficou distante a lendária Idade do Ouro, quando o amor, a suavidade e a ternura, norteavam a Vida do Mundo. Não mais achamos a Deusa Astréia – filha de Têmis, a dominar a paisagem espiritual e moral das sociedades, estabelecendo o reino da harmonia para uma vida venturosa.

Agora quando se agitam as entranhas da humanidade, quando a violência ganha proporções alarmantes e o crime mostra cenários aparvalhantes, quando o cinismo e a corrupção se mostram desabridos e a mentira desnorteia a alma do mundo, tem-se a impressão que se instalou na Terra, a idade do Ferro, das referências mitológicas dos tempos idos. O momento cruel que se demora no planeta, parece propício para que os devedores da consciência cósmica tenham o ensejo de reajustar-se, de renovar-se, encontrando a liberdade definitiva.
A hora que se estira sobre as experiências humanas, se impõe a todos, a necessidade de repensar, de reflexionar em torno da marcha das sociedades em processo de reestruturação do próprio destino.
Nestas épocas agônicas de quase todos, em tempos de lágrimas e dores profundas, quando faltam socorros e falecem nobres providências; como nos tempos passados, a massa vive a exorar dos planos divinos, o auxílio e aporte capazes de minimizar tantos horrores e conflitos.
Temos hoje o dever de trabalhar para transformar nossa tormentosa Idade Metálica, de modo a erigir a Idade do Espírito; a exuberante era espiritual, que achando os caminhos do mundo para que por eles, todos possamos trilhar com liberdade e entendimento claro, das leis divinas.
Por causa de toda essa onda de terrores que se abate sobre nós e a frieza de tantos corações de servir, o Cristo brindou a Terra, já há 150 anos, com o Livro dos Espíritos – roteiro para os indivíduos e as comunidades de quaisquer latitude.
Eis a obra pujante de luz e beleza, documento que os Céus enviou como um mapa para o futuro, marcado por todos aqueles que tinham interesse por um mundo mais consentâneo com os ensinamentos do Reino dos Céus. Estudar esse livro é glória sem igual. Divulgá-lo é espalhar gemas preciosas por sobre as expectativas terrenas. Viver seus ensinamentos, é conseguir a lucidez e a sabedoria que a todos conduzirão, à plena Paz.

Mensagem psicografada pelo médium José Raul Teixeira, por ocasião do II Congresso Espírita Brasileiro, em abril de 2007, Brasilia, ditada pelo Espírito Camilo




Entrevista - Estamos vivendo a Era do Espírito


Alavanca – Como o senhor analisa a obra do físico Fritiof Capra, sobretudo “O Tao da Física”?

Raul Teixeira – Capra realizou uma verdadeira proeza, ao dividir a comunidade científica em dois grandes grupos, o dos que contestam sua posição e o daqueles que apóiam suas idéias. Porque ele se baseia na Física Quântica, na Física Relativista, e chega a fazer comparação dizendo que tudo que hoje a nossa Física desenvolve em Laboratórios, sendo pesquisas de pontas, importantíssimas, nós já podemos identificar no trabalho dos místicos orientais, há mais de 7 mil anos antes do Cristo. Naturalmente que sem o tratamento laboratorial que hoje se aplica e também sem a linguagem específica e os jargões atuais adotados pela Ciência. Mas o fato, o fenômeno, aí está…

Alavanca – E de que modo isso contribuirá para o avanço científico?

Raul Teixeira – A confirmação dos trabalhos de Capra vem nos mostrar que as verdades divinas estão espalhadas pelo Cosmo e são sempre, em qualquer tempo, as mesmas verdades. Enquanto o homem não as reconhece e compreende, passam aos nossos olhos como mistérios. Mas à medida que vamos descobrindo essas verdades, elas saem do desconhecido e passam a integrar nossa realidade, constituindo-se em pontos de apoio para a Ciência.

Alavanca – O que significa acatar a existência de Deus…

Raul Teixeira – Deus pensa, e Seu pensamento – que é a Verdade – se espalha no Cosmo. E nós, à proporção que vamos crescendo, moral e intelectualmente, conseguimos captar essa mensagem da Divindade, que se acha no Universo. É importante que entendamos O Livro dos Espíritos, quando nos ensina que nos falta um sentido para entender a infinidade de Deus. E Jesus Cristo diz que é preciso ter puro o coração para ver a Deus. Então, à proporção que avançamos, em nível de Ciência, em nível de bom senso, de equilíbrio geral, vamos conseguindo “ver” a Deus, entender a intimidade do Criador, a partir das leis que estão espalhadas pelo Universo. Naturalmente que não apenas Capra mas um pugilo de outros físicos tem enveredado por esse caminho. E hoje encontramos uma literatura muito vasta, vinculando os progressos da Física às questões espirituais. Não é à toa que nós vivemos uma época que é propriamente a Era do Espírito.


(Entrevista concedida ao Jornal Alavanca nº 397, de Campinas - SP)




Dias difíceis


Há dias que parecem não ter sido feitos para ti.

Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os ombros dilacerados.

Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.

Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.

Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.

Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.

São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.

Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.

No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.

São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.

Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.

Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições…

Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal…, tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.

Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.

Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.
Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.

Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.

Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.

Camilo.


Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 30.12.2002, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ




Entrevista com Raul Teixeira sobre família


VIOLÊNCIA NO LAR
Por que tanta violência entre pais e filhos?

Raul – No capítulo da violência entre pais e filhos, deparamo-nos com adversários que reencarnam-se no mesmo conjunto doméstico, para atenderem ao serviço da recuperação de si mesmos, desfazendo rastros odientos e frustrações afetivas com o esforço devido; no entanto, ao lado desta realidade, conhecemos a indiferença e o abandono a que muitos filhos são relegados por seus pais, despertando velhos antagonismos, de conseqüências imprevisíveis.

Há que buscar-se o equilíbrio que o Evangelho de Jesus ensina. Aquele que mais compreender, sirva, oriente, perdoe, a fim de diminuir-se a onda de violência entre pais e filhos. Não esqueçamos, entretanto, que o abandono dos filhos, o ato de relegar-se sua orientação a escolas e a terceiros, a imposição sem explicação educativa, o fato de permitir aos filhos usos perigosos; apenas para não incomodar-se, não deixam de ser, à luz do Espiritismo, tenebrosos atos de violência, com os que atraiçoamos a confiança da Divindade, e que deveremos ajustar em tempos do futuro, e muitas vezes, de um futuro a iniciar-se hoje mesmo.

FILHOS ADOTIVOS
Os filhos adotivos: quando e como os pais devem falar a verdade?

Raul – Desde que são adotados, deverão sabê-lo. Não há porque aguardar que cresçam. Os filhos adotivos convivem muito bem com a revelação que lhes é feita, se feita com atenção e com ingredientes de carinho, sem a intenção de magoar, de ferir. Alegar-se-á a desencarnação dos verdadeiros pais ou a impossibilidade deles para criá-los, por insuperáveis dificuldades. Deixem-nos sentir que são amados, respeitados como filhos realmente, e nenhum problema advirá além das marcas com que a provação já os assinalou.

SEPARAÇÕES NO MATRIMÔNIO
A que se deve o número cada vez maior de separações no matrimônio?

Raul – Deve-se ao fato de não ter sido levado em conta a lei divina, conforme anota Allan Kardec, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo XXII, item 5.

Os problemas de intolerância, a liberalidade da formação do caráter, o despreparo para as responsabilidades do casamento, o orgulho soez e seus afins, representam elementos danosos a atentarem contra os lares de fracos alicerces.

DIVÓRCIO E FILHOS
Quando o divórcio é iminente como fica a situação dos filhos?

Raul – A situação do divórcio do casal, com raríssimas exceções, perturba muito os filhos. Seja pela divisão emocional que se processa, seja pelo caráter odiento em que se estriba, os filhos ficam como que sufocados num clima desestruturador, desde a iminência, desde as conversas, as querelas, as friezas ou os desrespeitos.

Melhor seria que os casais se pudessem compreender melhor, evitando que essas aves implumes e dependentes, que são os filhos, caiam do ninho desfeito ou mal mantido, perturbando-se ao invés de avançar para Deus, em clima de segurança.

FILHOS ENVOLVIDOS COM DROGAS
Qual deve ser o comportamento dos pais, quando os filhos estão envolvidos com drogas?

Raul – O do esclarecimento lúcido, sem emoções desequilibradas, mostrando que eles, os filhos, são os primeiros e grandes lesados. A persistir o envolvimento, nenhum pai responsável e que ame seus filhos, deverá negar-se a conduzi-los a tratamento médico, ou médico e psicológico, com profissionais de comprovada confiança e, se necessário, pelo nível de descontrole a que cheguem ou pelos perigos para os implicados ou para a própria família, a internação em competente clínica. É bom que lembremos que, em tais casos, o paciente não tem que decidir se vai ou não internar-se, uma vez que já demonstrou não estar sabendo utilizar seu livre-arbítrio para o bem de si e dos que o rodeiam.

Ao lado do atendimento de profissionais, a oração e o tratamento da fluidoterapia espírita, em muito contribuirá para desfazer-se o quadro tormentoso, considerando-se a insuflação obsessiva que costuma estar presente em situações desse gênero.

INFLUÊNCIA DA TV
Como você vê a influência da televisão no lar?

Raul – Na atualidade são poucas as emissoras e programações de televisão que apresentam material de boa qualidade educativa ou divertimentos saudáveis para quem os vê. Quando não é o noticiário tendencioso e escandaloso, é a violência que, como um vírus, penetra e adoece o organismo doméstico, acompanhado por algumas novelas que apresentam tanta “realidade”, que conseguem desequilibrar, transtornar os de mentalidade mais frágil. Urge adotemos uma postura analítica perante as programações.

O costume de dialogarem os esposos, pais e filhos, os irmãos entre si, discutindo esse ou aquele aspecto do que viram e ouviram, auxiliará, sobremaneira, a que se forme um critério seletivo, seja individual, seja da equipe familiar, quando se chegue a um consenso positivo.

Por outro lado, percebemos que os indivíduos que põem no ar a ganga intelectual em forma de programas e atrações, são os elementos das famílias perturbados em si mesmos, vaidosos ou de moralidade cediça, o que nos permite destacar a importância, ainda mais, da educação que a família pode oferecer.

FAMÍLIA ATUAL
Sob que aspecto a família atual está mais descuidada?

Raul – Ao que podemos contemplar, a família acha-se, de um modo geral, descuidada nos mais diversificados aspectos da vida, considerando-se o seu papel de “escola das almas”, e a primeira escola por sinal dos que chegam no mundo terreno. Entretanto, as raízes atormentadoras de tanto desajuste familiar, vemos na vivência materialista, sem as noções básicas quanto ao Espírito imortal, a descrença em Deus, embora a maioria professe rituais e cultos variados e vazios de conteúdo mais profundo acerca da vida.

É aí que o conhecimento da reencarnação, da lei de causa e efeito, conforme ensina o Espiritismo, pode despertar os pais, os filhos, esposos, para que reflitam acerca das responsabilidades graves que têm, em face das relações familiares, com vistas ao futuro de alegrias e de paz.

MÃES QUE TRABALHAM
Mãe que trabalha fora do lar prejudica a educação dos filhos?

Raul – Em “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec recebe dos Espíritos a informação de que a paternidade é uma verdadeira missão e, mais do que isto, que é um grandíssimo dever e que envolve, mais do que pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro, conforme notamos na questão 582. Acredito que a questão grave não seja a situação em que a mãe precisa trabalhar fora do lar, mas sim, como fará ela a necessária compensação, quando ao lar retorna.

É certo que admitimos que a ausência da mãe sempre provocará, sobre os filhos pequenos, processos de carências que ninguém suprirá devidamente. De acordo com o tipo de Espírito, essas carências poderão atingir índices altos de transtornos na formação da personalidade infantil, a desaguar nos desajustes da adolescência, quando não corrigidos a tempo.

Faze-se, assim, importante que a mãe que trabalhe fora de casa, empreenda maiores esforços para envolver a criança, atendê-la, entendê-la, ajudá-la em seus trabalhos escolares, dialogando sempre. Enfim, torna-se imprescindível que os pais, e particularmente a mãe, conversem com as crianças sobre as razões ponderáveis.

Não deverão os pais, em chegando ao lar, fixarem-se nas intermináveis novelas, em leituras de jornais delongadas, irritando-se com a aproximação ou solicitação dos pequenos, aos quais, antes deveriam buscar para aconchegá-los.

Nesses casos, depois que os pais cheguem em casa, eles próprios superarão o cansaço para cuidarem, com atenção e carinho, dos filhos que ficaram sem eles durante todo o dia, ou grande parte do dia. Os finais de semana, igualmente, deverão ser passados junto dos filhos, aproveitados na companhia deles, salvo em casos de necessidade imperiosa que determina o contrário.

Necessário se faz renunciar a alguns prazeres e divertimentos, enquanto os filhos disto careçam, a fim de formá-los no equilíbrio para o futuro, agindo dentro da orientação espírita, de acordo com o que nos lembra a Codificação Espírita.

EDUCAÇÃO SEXUAL
No mundo atual vemos aumentar o desequilíbrio no campo sexual. Até que ponto os pais têm influência na educação do sexo?

Raul – O sexo, representando uma das potências das quais se vale o Espírito, para progredir e cooperar com Deus na Obra universal, não encontrará equilíbrio, enquanto outras áreas do ser não forem bem trabalhadas pela educação superior. Jamais encontraremos sexualidade equilibrada em indivíduos egoístas, vaidosos, irascíveis, orgulhosos, violentos, mentirosos e usurpadores. Assim, no dizer do Espírito Joanna de Ângelis, a família deve educar seus filhos para Deus, para que, então, o todo se encaminhe para a faixa da harmonia.

A morigeração dos hábitos, o respeito à vida em todas as suas dimensões, o cuidado de si mesmo, a sinceridade de uma religião profunda, farão com que a família cresça conduzindo seus filhos para Deus, com suas energias de criação, de características sexuais, ajustadas ao respeito, à dignidade, ao bem geral.

FILHOS E CENTRO ESPÍRITA
Qual a atitude dos pais, quando os filhos não aceitam o encaminhamento ao Centro Espírita?

Raul – Se são filhos emancipados, com vida própria, caberá aos pais o respeito à sua condição e escolha. Entretanto, o mesmo não poderá ocorrer com os filhos menores, totalmente dependentes dos pais. É uma questão de coerência. Aos pais, neste caso, caberá persuadir, sem violência, mas com seriedade e severidade, para que participem da doutrina que auxilia o lar a manter-se em franco clima de progresso e de trabalho.

Os que perante Deus são incumbidos de dar o alimento, o calçado e a veste, a escola e o cobertor, por que não ensejariam aos filhos a opção do conhecimento espírita?

Mesmo que mais tarde, emancipados, se afastem do caminho espiritista, estarão lançadas as sementes da verdade, que um dia, germinarão, ainda que seja sob chuvas de testemunhos difíceis ou entre os ciclones de dores acerbas, ou, ainda, ante as exigências da alma, na sua sede de comunhão com Deus.
Entrevista concedida por Raul Teixeira em Catanduvas-SP, reproduzida pelo Jornal Mundo Espírita de agosto de 1986, retirada do endereço: http://www.raulteixeira.com/noticias.php




Entrevista com Raul Teixeira sobre atividade de desobsessão


Entrevista em Quartera – Portugal
Pergunta – Há necessidade de fazer passes sobre os centros de força ou basta fazê-lo sobre o coronário, aplicando as mãos sobre a cabeça da pessoa?
Raul Teixeira – Há sempre validade nos passes sobre os centros de força embora não haja necessidade de se impor as mãos sobre esses centros de força. Uma vez que nós espalmamos as mãos sobre o centro coronário (sobre o alto da cabeça das pessoas) isso funciona como uma estação de água, um vaso comunicante, porque as energias absorvidas por esse centro irão alcançar os variados centros onde haja necessidade de elas realizarem o seu mister. Não há nenhum caso em que seja necessário uma coisa ou outra: o aplicar passes diretamente sobre o centro de força considerado ou sobre simplesmente o alto da cabeça. Cabe ao bom senso das pessoas; se elas sentem-se mais confiantes estendendo as mãos sobre o centro considerado, que elas o façam, não haverá nenhum problema. No entanto, não há nenhuma necessidade de que esta prática esteja em vigor.

P. – O doutrinador deve fazer passes ao médium durante a manifestação de uma entidade desequilibrada? Por quê?
R. T. – Naturalmente que o doutrinador deve fazer passes no médium durante as manifestações de entidades sofredoras, de obsessoras, sempre que isso se mostre necessário. Quando a comunicação com a entidade torna-se difícil, quando o médium apresenta algum sofrimento durante alguma comunicação ou antes de propriamente dá-la, ou depois da entidade se desprender naturalmente caberá ao bom senso do doutrinador ou do aplicador de passes observar e poder utilizar os recursos da fluidoterapia para ajudar tanto ao desencarnado como ao encarnado. A questão dos passes dispersivos que são aplicados sobre os médiuns ao cabo das manifestações mais difíceis são eficazes. O mundo espiritual, naturalmente, poderia realizar esse trabalho. No entanto, quem necessita de crescimento somos nós e eles dão¬-nos essa possibilidade de trabalharmos, para angariarmos os méritos, as virtudes necessárias. A partir daí nós sentiremos a importância do nosso esforço de aplicadores de passes. Todo esse trabalho que realizamos não significa que o mundo espiritual, os nossos benfeitores, não o possam realizar mas dão-nos ensejo de retirar a melhor aprendizagem, o melhor proveito de tudo isto.

P. – O médium, numa sessão de desobsessão por exemplo, deve sentar-se sempre no mesmo lugar?
R. T. – Numa sessão de desobsessão não há nenhuma necessidade do médium sentar-se sempre no mesmo lugar. Geralmente isso acontece, isto é, os médiuns ocupam sempre o mesmo lugar, por questão de comodidade, porque se ajustaram mais àqueles lugares e ficam mais facilmente acomodados ali. Mas se num dia ou noutro houver necessidade de o trocar nada será negativo para a reunião, porque isso não é fundamental.

P. – E o doutrinador? Deve sentar-se sempre no mesmo lugar e com o mesmo médium?
R.T. – Não há nenhuma necessidade de que o doutrinador, por sua vez, também se sente sempre no mesmo lugar. Deve sentar-se num lugar onde tenha uma visão geral da mesa, dos companheiros que estão a trabalhar, para facilitar-lhe a atuação. Principalmente quando eles não tem auxiliares e ele mesmo é o dirigente da reunião e que doutrina as entidades. Os doutrinadores não precisam trabalhar sempre com os mesmos médiuns. Quando existe mais que um doutrinador é mesmo recomendável que se troquem.

P. – Que pensar dos médiuns e/ou doutrinadores que não gostam de trabalhar com este ou aquele?
R.T. – Os médiuns e doutrinadores que não gostam de trabalhar uns com os outros já estão demonstrando que não estão aptos para o trabalho da doutrinação de espíritos, uma vez que não se doutrinaram a si mesmos. Todos esses sentimentos negativos, sentimentos de falta de afinidade, falta de encaixe vibratório são altamente prejudiciais ao desenvolvimento da reunião mediúnica. No Livro dos Médiuns, Allan Kardec diz-nos que a reunião é um ser coletivo; todos aqueles que dela fazem parte são responsáveis pela influência que sobre ela recai. Será bom que todos os médiuns e doutrinadores estejam afinados entre si e nas mesmas reuniões das quais participam.

P. Quanto tempo deve durar uma reunião de desobsessão?
R.T. – A reunião mediúnica deve durar cerca de hora e meia, incluindo todos os elementos que dela fazem parte: as leituras, as orações e o tempo da comunicação dos espíritos. Não deverá, por isso, ultrapassar, em casos bastante especiais, às duas horas de realização. Duas horas de trabalho mediúnico é bastante tempo para que se faça um trabalho sem excessivo desgaste dos médiuns e sem perder as qualidades da reunião. Admitimos, com os nossos benfeitores, que entre 1h30 e 2 horas é um tempo bastante razoável para que se realize a tarefa de desobsessão.

P. – Podem os membros duma reunião mediúnica mudar de equipe de desobsessão ora hoje, ora amanhã?
R.T. – Os médiuns que freqüentam uma reunião mediúnica em certo dia da semana estão sob uma certa estrutura psíquica, do grupo ao qual se acham afinados. Se ele participa de várias reuniões de mediunidade, certamente terá poucas possibilidades de ser útil em todas elas, porque ele terá de encaixar vibratoriamente em cada uma dessas reuniões, no caso de serem reuniões com equipes diferentes. Se forem reuniões com o mesmo grupo, nada impede que ele participe num dia ou noutro; é o mesmo grupo, a mesma equipe que está em ação. Mas se são equipes diferentes e ele vai trocando de equipe certamente não terá a mesma produtividade. E não há nenhuma necessidade disto.

P. – Que fazer com os membros de uma equipe de desobsessão que ora aparecem ora não aparecem?
R.T. – Os membros da reunião mediúnica, principalmente da desobsessão, que aparecem num dia e desaparecem depois já indicam que eles não foram bem selecionados para participarem desse mister, porque não se pode imaginar que um trabalho dessa índole tenha bom proveito com elementos que não se responsabilizam por estar ali com a freqüência que se exige, comumente uma vez por semana. Se um compromisso de uma vez por semana não permite a este ou aquele indivíduo estar ali sempre presente é sinal que ele não deverá fazer parte dessa atividade. Há muitas outras coisas que se podem fazer no centro espírita fora das reuniões mediúnicas. A reunião mediúnica exige basicamente disciplina, o cumprimento dos deveres, dos horários, etc.

P. – E aqueles membros que só aparecem quando não estão bem? Devem freqüentar a reunião mediúnica?
R.T. – Os médiuns que só aparecem quando não estão bem é mais um motivo para não fazerem parte da mesa, dos trabalhos de mediunidade. Que os dirigentes responsáveis conversem com eles para que eles percebam que não estão a agir de acordo com as recomendações da Doutrina Espírita. Pensando assim, não se lhes deve permitir o acesso a essas reuniões quando eles fizerem dessas mesmas reuniões, ponto de encontro, quando têm necessidade, ou uma fonte de água para quando tenham sede, não atuando como um verdadeiro enfermeiro ao serviço do Cristo, com a disposição que o trabalho exige.

P. – Por vezes existe a “febre” das obras assistenciais, entre os portugueses. Espiritismo é isso, ou é educar, libertar consciências, auxiliando-as é claro?
R.T. – A chamada febre de construir ou criar as obras de assistência, materialmente falando, não caracteriza propriamente uma postura espírita, mas o interesse de muitas pessoas. O trabalho espírita por excelência é aquele da reconstituição das almas, de levantar os indivíduos caídos nas estradas morais do mundo. Mas muitas vezes esses indivíduos caídos existem entre aqueles que sofrem necessidades variadas e de diverso porte, a nível material… Aqui, em Portugal, quando não existam essas necessidades, tipicamente materiais, todos os esforços deverão voltar-se para as necessidades morais, para os problemas de ordem ética… Quando um centro espírita não dispõe de uma obra material, um lar de crianças, de idosos, uma creche, um hospital, isso não diminui o seu mérito diante da obra da educação e de esclarecimento das almas que esteja a realizar. Até porque o movimento espírita deve expandir-se calcando sempre nessa necessidade que a doutrina tem de chegar aos corações, de fazer com que as pessoas libertem-se da ignorância… Não perderemos de vista, no entanto, a importância do socorro material àquelas pessoas que estejam nessa faixa de necessidade… mas com certeza de que não cabe ao trabalhador espírita, à Instituição Espírita manter um quadro de criaturas miseráveis improdutivas em nome do seu esforço de caridade. O trabalho assistencial espírita visa promover a criatura. O objetivo do Espiritismo é fazer o homem crescer, fazer o homem levantar-se, alcançando os objetivos da sua reencarnação.

P. – Acha plausível dirigentes espíritas que não se dêem bem?
R.T. – Lamentavelmente encontramos dirigentes, no Movimento Espírita, que não se dão bem, que não se ajustam, que não se afinam. É lamentável, mas temos que convir que isto existe porque vivemos no mundo. Triste é constatar-se que tais dirigentes, sejam eles quais forem, não estão a dar-se conta que desmentem com as atitudes aquilo que pregam com as palavras. Sendo a Doutrina Espírita uma doutrina de bom senso, de razão, uma doutrina que prega o amor acima de todas as coisas, como ensinou Jesus, não se justifica que esses elementos não tivessem coragem de lavar as suas diferenças nas águas da fraternidade, de dialogar, de chegarem a uma conclusão, mas isto, conforme nos diz “O livro dos espíritos”, demonstra a predominância do personalismo, do egoísmo, do homem velho sobre as estruturas frágeis do homem novo sobre a Terra. Lamentamos, mas ainda encontraremos os indivíduos que acham muito bonito falarem de Jesus mas que ainda não tiveram a coragem de saírem de si mesmos para viverem como o Mestre recomendou.
Entrevista concedida em 30.10.1993.
Revista Fraternidade/Portugal/ fevereiro/1994.
Jornal Mundo Espírita/ março/1994.
http://www.raulteixeira.com/noticias.php?not=81




O jovem na Casa Espírita


– Em sua opinião, como os dirigentes espíritas podem auxiliar o jovem na canalização do vigor juvenil para a construção do mundo de regeneração?

Raul Teixeira: Primeiro, será preciso fazer do centro espírita um lugar agradável, fraterno e envolvente para a criança e para o jovem, sem nenhuma necessidade de que se construam piscinas, quadras esportivas ou salões de funk para que se sintam atraídos. O ambiente se mostrará agradável quando haja nele o envolvimento fraternal, onde o jovem possa exprimir-se, perguntar, opinar e apresentar seus problemas sem receber olhares de superior hipocrisia. Depois, será importante que seja convidado a participar das atividades da instituição que estejam ao nível das suas possibilidades, o que implica que os lidadores mais velhos deverão conhecer os mais moços por estarem junto deles, acompanhando-os, observando-os e assistindo-os.

O jovem não se fixará em instituições onde não tenha nada o que fazer, onde só compareça para ouvir, sentadinho, leituras e falações de pessoas que supostamente saibam mais do que ele. De natureza muito dinâmica, é compreensível que, ressalvados os casos mais complicados, o jovem goste de cooperar, de participar ativamente, devendo ser para isso preparado. Convidá-los para acompanhar-nos em visitas a outras obras, a outras instituições, a entidades que prestam serviço ao semelhante necessitado, quais creches, hospitais, asilos; tudo isso vai sensibilizando a alma do Espírito reencarnado nas suas primeiras idades.

É muito bom quando temos, num centro espírita, um relacionamento saudável entre os trabalhadores mais velhos e os jovens, uma vez que os primeiros precisam contar com a força e a disposição dos mais moços, enquanto estes carecem do norteamento e da experiência dos mais velhos. Quando isso se dá, em bases de afeto e de respeito, temos excelente conquista de corações para a liberdade, para a vivência ética e para o trabalho com Jesus.

Extraído de entrevista publicada pelo jornal O Imortal na edição de março de 2009.