Aprendamos a agradecer


Por tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus.

I Tessalonicenses 5:18

Saibamos agradecer as dádivas que o Senhor nos concede a cada dia:

– a largueza da vida;
– o ar abundante;
– a graça da locomoção;
– a faculdade do raciocínio;
– a fulguração da ideia;
– a alegria de ver;
– o prazer de ouvir;
– o tesouro da palavra;
– o privilégio do trabalho;
– o dom de aprender;
– a mesa que nos serve;
– o pão que nos alimenta;
– o pano que nos veste;
– as mãos desconhecidas que se entrelaçam no esforço de suprir-nos a refeição e o agasalho;
– os benfeitores anônimos que nos transmitem a riqueza do conhecimento;
– a conversação do amigo;
– o aconchego do lar;
– o doce dever da família;
– o contentamento de construir para o futuro;
– a renovação das próprias forças…

Muita gente está esperando lances espetaculares da “boa sorte mundana”, a fim de exprimir gratidão ao Céu.

O cristão, contudo, sabe que as bênçãos da Providência Divina nos enriquecem os ângulos mais simples de cada hora, no espaço de nossas experiências.

Nada existe insignificante na estrada que percorremos.

Todas as concessões do Pai Celeste são preciosas no campo de nossa vida.

Utilizando, pois, o patrimônio que o Senhor nos empresta, no serviço incessante ao bem, aprendamos a agradecer.

Título: Aprendamos a agradecer

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários às Cartas de Paulo




Na meditação


E saíram no barco para um lugar ermo, em particular.

Marcos 6:32

Tuas mãos permanecem extenuadas por fazer e desfazer.

Teus olhos, naturalmente, estão cheios da angústia recolhida nas perturbações ambientes.

Doem-te os pés nas recapitulações dolorosas.

Teus sentimentos vão e vêm, com impulsos tumultuários, influenciados por mil pessoas diversas.

Tens o coração atormentado.

É natural. Nossa mente sofre sede de paz, como a terra seca tem necessidade de água fria.

Vem a um lugar à parte, no país de ti mesmo, a fim de repousar um pouco. Esquece as fronteiras sociais, os controles domésticos, as incompreensões dos parentes, os assuntos difíceis, os problemas inquietantes, as ideias inferiores.

Retira-te dos lugares comuns a que ainda te prendes.

Concentra-te, por alguns minutos, em companhia do Cristo, no barco de teus pensamentos mais puros, sobre o mar das preocupações cotidianas…

Ele te lavará a mente eivada de aflições.

Balsamizará tuas úlceras.

Dar-te-á salutares alvitres.

Basta que te cales e sua voz falará no sublime silêncio.

Oferece-lhe um coração valoroso na fé e na realização, e seus braços divinos farão o resto.

Regressarás, então, aos círculos de luta, revigorado, forte e feliz.

Teu coração com Ele, a fim de agires, com êxito, no vale do serviço.

Ele contigo, para escalares, sem cansaço, a montanha da luz.

Título: Na meditação

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo Marcos




Adiante de vós


Mas, ide! Dizei aos seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia […]

Marcos 16:7

É raro encontrarmos discípulos decididos à fidelidade sem mescla, nos momentos que a luta supera o âmbito normal.

Comumente, elevando-se a experiência para maiores demonstrações de coragem, valor e fé, modifica-se-lhes o ânimo, de imediato.

Converte-se a segurança em indecisão, a alegria em desalento.

Multipliquem-se os obstáculos e surgirá dolorosa incerteza.

Os aprendizes, no entanto, não devem olvidar a sublime promessa do princípio, quando o pastor recompunha o rebanho disperso.

Quando os companheiros, depois da Ressurreição, refletiam no futuro, oscilando entre a dúvida e a perplexidade, eis que o Mensageiro do Mestre lhes endereça aviso salutar, assegurando que o Senhor marcharia adiante dos amigos, para a Galileia, onde aguardaria os amados colaboradores, a fim de assentarem as bases profundas do trabalho evangélico no porvir.

Não nos cabe esquecer que, nas primeiras providências do apostolado divino, Jesus sempre se adiantou aos companheiros nos testemunhos santificantes.

E assim acontece, invariavelmente, no transcurso dos séculos.

O Mestre está sempre fazendo o máximo na obra redentora, contando com o esforço dos cooperadores apenas nas particularidades minúsculas do celeste serviço…

Não vos entregueis às sombras da indecisão quando permanecerdes sozinhos ou quando o trabalho se agrave na estrada comum.

Ide, confiantes e otimistas, às provações salutares ou às tarefas dilacerantes que esperam por nosso concurso e ação. Decerto, não seremos quinhoados por facilidades deliciosas, num mundo onde a ignorância ainda estabelece lamentáveis prisões, mas sigamos felizes no encalço das obrigações que nos competem, conscientes de que Jesus, amoroso e previdente, já seguiu adiante de nós…

Título: Adiante de vós

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo Marcos




A verdade


Jesus lhe diz: Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida […]

João 14:16

Por enquanto, ninguém se atreverá, em boa lógica, a exibir, na Terra, a verdade pura, ante a visão das forças coletivas.

A profunda diversidade das mentes, com a heterogeneidade de caracteres e temperamentos, aspirações e propósitos, impede a exposição da realidade plena ao espírito das massas comuns.

Cada escola religiosa, em razão disso, mantém no mundo cursos diferentes da revelação gradativa. A claridade imaculada não seria, no presente estágio da evolução humana, assimilável por todos, de imediato.

Há que esperar pela passagem das horas. Nos círculos do tempo, a semente, com o esforço do homem, provê o celeiro; e o carvão, com o auxílio da natureza, se converte em diamante.

Por isto, vemos verdades estagnadas nas igrejas dogmáticas, verdades provisórias nas ciências, verdades progressivas nas filosofias, verdades convenientes nas lides políticas e verdades discutíveis em todos os ângulos da vida civilizada.

Semelhante imperativo, porém, para a mentalidade cristã, apenas vigora quanto às massas.

Diante de cada discípulo, no reino individual, Jesus é a verdade sublime e reveladora.

Todo aquele que lhe descobre a luz bendita, absorve-lhe os raios celestes, transformadores… E começa a observar a experiência sob outros prismas, elege mais altos padrões de luta, descortina metas santificantes e identifica-se com horizontes mais largos. O reino do próprio coração passa a gravitar ao redor do novo centro vital, glorioso e eterno. E à medida que se vai desvencilhando das atrações da mentira, cada discípulo do Senhor penetra mais intensivamente na órbita da Verdade, que é a Pura Luz.

Título: A verdade

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo João




Em 15 dias


“Queridos irmãos da Terra.

Que momento extraordinário passa esse planeta.

Em 15 dias todas as nações do mundo se ajoelham perante o invisível.

Nenhum dinheiro do mundo pode aplacar o medo que hoje habita os corações dos seres.

A capital mundial do dinheiro finalmente descobre que não é possível comer e respirar o ouro.

A cidade luz, mergulhada nas trevas.

A cidade Eterna parece condenada a encontrar seu fim.

Enquanto isso, o Planeta Terra, organismo vivo, aproveita a ausência do homem e se cura.

Rios estão ficando cristalinos. O ar está mais puro em todo mundo e as estrelas estão mais visíveis.

Tudo em 15 dias.

Enquanto a solidariedade se destaca em alguns, outros exacerbam seu egoísmo, deixando evidente quem serão os futuros moradores da Terra regenerada.

E, que ironia, esse vírus abençoado parece não atacar animais.

O seu alvo é a raça humana.

Abençoado sim, pois nos foi ensinado que a dor é grande professora.

E quantas lições podem ser aprendidas com essa situação.

Sabemos que para o espírito na matéria é difícil ver as coisas com os olhos da alma.

Mas creiam! O que acontece nesse momento é uma oportunidade única que outros Orbes não tiveram.

A guerra nuclear era o carma da raça humana. A auto destruição o seu destino.

Mas esse planeta tão amado por Jesus, recebeu a chance maravilhosa de ter um chamado diferente.

Em vez de se autodestruírem para aprenderem a fraternidade, se afastarão, para aprenderem na dor da solidão a importância do coletivo.

Sentirão na falta de contato humano, a importância de um abraço.

Os seus contatos virtuais não serão suficientes para aquecerem seus corações.

Dor, lágrima e sofrimento ainda serão sentido nos próximos meses.

Mas feliz daquele que entende esse momento sublime.

No mundo espiritual, seres elevadíssimos acompanham o momento com atenção e um amor infinito.

É finalmente chegada a hora.

A Terra amada não será mais a mesma.

Se pudessem ver o que vemos, veriam o espetáculo que está sendo a mudança vibratória do planeta.

Que força tem a oração!

Que força tem o pensamento!

Tudo em 15 dias.

O que não será possível quando esta vibração for perene?

E como é infinito o amor do Cristo!!!

Ele está em cada coração. Em cada oração. Em cada pensamento.

Como um pai que não abandona um filho.

Que Ser extraordinário, que um simples raio de seu olhar magnânimo seria capaz de ofuscar o próprio sol.

E esse Ser gigantesco olha para a Terra com piedade e amor.

Então, que motivo existe para ter medo?

O momento é de esperança!

O momento é de mudança!

Mudança para uma nova Era.

E também é chegada a hora de espalhar esperança.

Aqueles que têm consciência do atual momento, têm a enorme missão de levar esperança aos corações sofredores.

Quando todos estiverem com medo da morte, sejam a luz que mostra a vida eterna.

Lembrem-se dos primeiros cristãos.

Que aguardando o martírio, cantavam e louvavam o Senhor.

E enquanto os tiramos de Roma os transformavam em tochas humanas, Jesus os transformava em tochas do espírito, que iluminavam as trevas do medo e da ignorância.

O momento atual é de igual grandeza.

Sejam semeadores da esperança.

Bem aventurados os que entenderem e aproveitarem esse momento, pois quando tudo passar, serão bem vindos a um planeta regenerado”.




Mensagem de Léon Denis sobre o tempo atual


O alvorecer de uma nova era – Mensagem de Leon Denis sobre o tempo atual

Vivemos nesses dias de dores e apreensões, medos e preocupações, o alvorecer de uma nova era cujos clarões começam a despontar no horizonte.

Embora o alvoroço em torno do vírus que assola a humanidade contaminando corpos, ceifando vidas e deixando de prontidão os demais, um clarim se faz ouvir por todos os quadrantes do planeta anunciando que um ciclo se finda e outro se inicia.
São tempos de transição planetária trazidos pelos ventos da renovação que varrem a poeira de um mundo cujo modo de organização social, política, econômica e religiosa já não se sustenta mais.

Um mundo que suplica por mudanças por meio das vozes que clamam por justiça e espírito humanitário, nas diferentes relações estabelecidas nos mais variados países de todos os continentes.

Vozes oprimidas e cansadas de almas sofridas que carecem de pão, trabalho, educação e uma melhor justiça social que diminua o abismo entre as classes, entre ricos e pobres.

Nessa nova era que surge em meio a um parto difícil e delicado, há “uma criança” que desponta para nos dizer nos seus primeiros vagidos que o mundo é bom, que precisamos nos compatibilizar com a sua beleza, equilíbrio e organização, por meio de uma conduta digna e em sintonia com toda a sua divina harmonia.

Consoante a simbologia do texto bíblico, é chegado o instante dos bodes se separarem das ovelhas (Mt 25:31-46), o joio do trigo (Mt 13:24-30) e os que ajuntam dos que espalham (Lc 11:23), de cada um optar pelos caminhos que deseja palmilhar nas veredas do universo…

Não estranhemos que tudo proceda com esse modus operandi, o Codificador assinalou com clareza em A Gênese, no seu capítulo dezoito, quais seriam os sinais dos tempos e pontuou de modo objetivo que essas mudanças se operam lentas e imperceptíveis ou bruscamente.

Assim, tudo quanto ocorre neste cenário que assusta e inquieta, requisita de cada ser um retorno às bases do Evangelho. Um mergulho sensível e atento nos ensinamentos de luz do Divino Pastor, a fim de auscultarmos com atenção a essência dos seus ensinos e avaliarmos, com isenção, como alicerçamos e erigimos nossas crenças e nossa fé.

É preciso que nos perguntemos o que fizemos do Cristo dentro do cristianismo e, particularmente, nós espíritas, o que temos feito do Cristo restaurado à luz do consolador prometido.

O Espiritismo não é um adorno como um camafeu ou broche que conduzimos na lapela para ostentar seus princípios. Não é uma espada guardada e pronta a ser retirada da bainha. Não é uma arma, mas um sinal que nos deve distinguir pelo espírito de serviço ao próximo. É antes uma ferramenta de trabalho que precisa ser empregada na construção de um mundo novo a partir da reconstrução de nós mesmos. É uma chave que nos desperta e amplia a consciência adormecida.

A hora é decisiva e não tarda o instante em que seremos individual e coletivamente chamados ao testemunho, à entrega e ao sacrifício em prol dos nossos semelhantes.

A “resistência” que não deseja a renovação, tem seus muros e o seu exército de prontidão, calcado em alicerces de areia que as vagas do mar haverão de levar, porque se assenta no poder transitório, na vaidade tola e fugaz, no brilho fátuo e sem consistência da intelectualidade vazia sem a utilidade prática a serviço dos que sofrem.

Tais espíritos, nossos irmãos, dignos de piedade, encontrarão refúgio em cenários e escolas compatíveis com o que necessitam despertar, sendo devidamente amparados.

Aproveitem, meus irmãos e minhas irmãs, esse período na carne e essa hora grave para socorrer.

Solidarizem-se com o povo oprimido, com as classes operárias, com os mais humildes, acercando-se dos seus ninhos de dor e provação, estendendo a eles mãos amigas.

Levem pão, alento e toda a sorte de recursos que possam repartir.

Fileiras de espíritos amigos, estafetas da luz, estarão convosco amparando-os, inspirando-os no serviço fraternal.

Tomem as medidas profiláticas recomendadas pelas autoridades competentes nas áreas da saúde e da segurança, mas não posterguem o sublime ensejo de amor.

Acendam no peito a luz dessa divisa deixada e exemplificada por Jesus:“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” e estarão seguros agora e após o transpasse para o lado de cá, pois terão obtido a tranquilidade consciencial daqueles que cumprem com fidelidade e dedicação os seus deveres.

Estamos à postos para socorrer, amparar, inspirar, dirigir e orientar os passos de cada um, de cada célula cristã-espírita nessa marcha sem precedentes rumo à Terra regenerada do amanhã.

Não temam!
Não recuem!
Não tergiversem!

Marchemos, pois para isso volvemos, para encarar a procela terrena e nela nos amar e nos instruir, conforme já assinalou o Espirito de Verdade.

Um abraço fraternal.

Léon Denis

Mensagem recebida pelo Espírito Léon Denis, por psicografia intuitiva através de Cezar Braga Said em 24/03/2020




Devagar, mas sempre


Por isto não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós, o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia a dia.

II Coríntios 4:16

Observa o espírito de seqüência e gradação que prevalece nos mínimos setores da Natureza.

Nada se realiza aos saltos e, na pauta da Lei Divina, não existe privilégio em parte alguma.

Enche-se a espiga de grão em grão.

Desenvolve-se a árvore, milímetro a milímetro.

Nasce a floresta de sementes insignificantes.

Levanta-se a construção, peça por peça.

Começa o tecido nos fios.

As mais famosas páginas foram produzidas, letra a letra.

A cidade mais rica é edificada, palmo a palmo. As maiores fortunas de ouro e pedras foram extraídas do solo, fragmento a fragmento.

A estrada mais longa é pavimentada, metro a metro.

O grande rio que se despeja no mar é conjunto de filetes líquidos.

Não abandones o teu grande sonho de conhecer e fazer, nos domínios superiores da inteligência e do sentimento, mas não te esqueças do trabalho pequenino, dia a dia.

A vida é processo renovador, em toda parte, e, segundo a palavra sublime de Paulo, ainda que a carne se corrompa, a individualidade imperecível se reforma, incessantemente.

Para que não nos modifiquemos, todavia, em sentido oposto à expectativa do Alto, é indispensável saibamos perseverar com o esforço de auto-aperfeiçoamento, em vigilância constante, na atividade que nos ajude e enobreça.

Se algum ideal divino te habita o espírito, não olvides o servicinho diário, para que se concretize em momento oportuno.

Há ensejo favorável à realização?

Age com regularidade, de alma voltada para a meta.

Há percalços e lutas, espinhos e pedrouços na senda?

Prossegue mesmo assim.

O tempo, implacável dominador de civilizações e homens, marcha apenas com sessenta minutos por hora, mas nunca se detém.

Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos.
Devagar, mas sempre.

Título: Devagar, mas sempre

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários às Cartas de Paulo




Jesus e paz


Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Eu não vos dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize.

João 14:27

A paz do mundo costuma ser preguiça rançosa.

A paz do espírito é serviço renovador.

A primeira é inutilidade.

A segunda é proveito constante.

Vejamos o exemplo disso em nosso Divino Mestre.

Lares humanos negaram-lhe o berço.

Mas o Senhor revelou-se em paz na estrebaria.

Herodes perseguiu-lhe, desapiedado, a infância tenra.

Jesus, porém, transferindo-se de residência, em favor do apostolado que trazia, sofreu, tranquilo, a imposição das circunstâncias.

Negado pela fortuna de Jerusalém, refugiou-se, feliz, em barcas pobres da Galileia.

Amando e servindo os necessitados e doentes recebia, a cada passo, os golpes da astúcia de letrados e casuístas de seu tempo; contudo, jamais deixou, por isso, de exercer, imperturbável, o ministério do amor.

Abandonado pelos próprios amigos, entregou-se serenamente à prisão injusta.

Sob o cuspo injurioso da multidão foi açoitado em praça pública e conduzido à crucificação, mas voltou da morte, aureolado de paz sublime, para fortalecer os companheiros acovardados e ajudar os próprios verdugos.

Recorda, assim, o exemplo do Benfeitor Excelso e não procures segurança íntima fora do dever corretamente cumprido, ainda mesmo que isso te custe o sacrifício supremo.

A paz do mundo, quase sempre, é aquela que culmina com o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia, mas a paz do Cristo é o serviço do bem eterno, em permanente ascensão.

Título: Jesus e paz

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo João




A grande educadora


Chama-se Dor.

Revela-se na desventura do amante, na desolação da orfandade, na angústia da miséria, no alquebramento da saúde, no esquife do ser querido que se foi deixando atrás de si a lágrima e o luto, no opróbrio da desonra, na humilhação do cárcere, no aviltamento dos prostíbulos, na tragédia dos cadafalsos, na insatisfação dos ideais, na tortura das impossibilidades – no acervo das desilusões contra que se confunde e se decepciona o coração da Humanidade.

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Não obstante, a Dor é a grande amiga a zelar pela espécie humana, junto dela exercendo missão elevada e santa.

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Estendendo sobre as criaturas suas asas, úmidas sempre do orvalho regenerador das lágrimas, a Dor corrige, educa, aperfeiçoa, exalta, redime e glorifica o sentimento humano a cada vibração que lhe extrai através do sofrimento.

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O diamante escravizado em sua ganga sofre inimagináveis dilacerações sob o buril do lapidário até poder ostentar toda a real pureza do grande valor que encerra. Assim também será a nossa alma, que precisará provar o amargor das desventuras para se recobrir dos esplendores das virtudes imortais cujos germens o Sempiterno lhe decalcou no ser desde os longínquos dias do seu princípio!

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A alma humana é o diamante raro que a Natureza – Deus – criou para, por si mesmo, aperfeiçoar-se no desdobrar dos milênios, até atingir a plenitude do inimaginável valor que representa, como imagem e semelhança dAquele mesmo Foco que a concebeu. Mas o diamante – Homem – acha-se envolvido das brutezas das paixões inferiores. É um diamante bruto! Chega o dia, porém, em que os germes da imortalidade, nele decalcados, se revolucionam nos refolhos da sua consciência, nele palpitando, então, as ânsias por aquela perfeição que o aguarda, num destino glorificador: – Foi criado para as belezas do Espírito e vê-se bruto o inferior! Destinado a fulgir nos mostruários de esferas redimidas, reconhece-se imperfeito e tardo nas sombras da matéria! Sonha com a sublimização das alegrias em pátrias divinais, onde suas ânsias pelo ideal serão plenamente saciadas, mas se confessa verme, porquanto não aprendeu ainda sequer a dominar os instintos primitivos!

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Então o diamante – Homem – inicia, por sua vontade própria, a trajetória indispensável do aperfeiçoamento dos valores que consigo traz em estado ignorado, e entra a sacudir de si a crosta das paixões que o entravam e entenebrecem.

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E essa marcha para o Melhor, essa trajetória para o Alto denomina-se Evolução!

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A luta, então, apresenta-se rude! É dolorosa, e lenta, e fatigante, e terrível! Dele requer todas as reservas de energias morais, físicas e mentais. Dilacera-lhe o coração, tortura-lhe a alma, e o martirológico, quase sempre, segue com ele, rondando-lhe os passos!

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Mas seu destino é imortal, e ele prossegue!

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E prosseguindo, vence!…

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Então, já não é o bruto de antanho…

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O diamante tornou-se joia preciosa e refulge agora, pleno de méritos e satisfações eternas, nos grandes mostruários da Espiritualidade – esferas de luz que bordam o infinito do Eterno Artista, que é Deus!

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A Dor, pois, é para o Espírito humano o que o Sol é para as trevas da noite tempestuosa: – Ressurreição! Porque, se este aclara os horizontes da Terra, levantando com seu brilho majestoso o esplendor da Natureza, aquela desenvolve em nosso ego os magnificentes dons que nele jaziam ignorados: – fecunda a inteligência, depurando o sentimento sob as lições da experiência, educando o caráter, dignificando, elevando, num progredir constante, todo o ser daquele em quem se faz vibrar, tal como o Sol, que vivifica e benfaz as regiões em que se mostra.

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A Dor é o Sol da Alma…

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A criatura que ainda não sofreu convenientemente carrega em si como que a aridez que desola os pólos glaciais e, como estes, é inacessível às elevadas manifestações do Bem, isto é, às qualidades redentoras que a Dor produz. Nada possuirá para oferecer aos que se lhe aproximam pelos caminhos da existência senão a indiferença que em seu ser se alastra, pois que é na desventura que se aprende a comungar com o Bem, e não pode saber senti-lo quem não teve ainda as fibras da alma tangidas pela inspiração da Dor!

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O orgulho e o egoísmo, cancerosas chagas que corrompem as belas tendências do Espírito para os surtos evolutivos que o levarão a redimir-se; as vaidades perturbadoras do senso, as ambições desmedidas, funestas, que não raro arrastam o homem a irremediáveis, precipitosas situações; as torpes paixões que tudo arrebatam e tudo ferem e tudo esmagam na sua voragem avassaladora que infestam a alma humana, inferiorizando-a ao nível da brutalidade, e os quais a Dor, ferindo, cerceia, para implantar depois os fachos imortais de virtudes tais como a humildade, a fé, o desinteresse, a tolerância, a paciência, a prudência, a discrição, o senso do dever e da justiça, os dons do amor e da fraternidade e até os impulsos da abnegação e do sacrifício pelo bem alheio – remanescentes daquelas mesmas sublimes virtudes que de Jesus Nazareno fizeram o mensageiro do Eterno!

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Ela, a Dor, é o maior agente do Sempiterno na obra gigantesca da regeneração humana! É a retorta de onde o Sentimento sairá purificado dos vírus maléficos que o infelicitam! Quanto maior o seu jugo, mais benefícios concederá ao nosso ego – tal como o diamante, que mais cintila, alindado, quanto maior for o número dos golpes que lhe talharem as facetas! É a incorruptível amiga e protetora da espécie humana:- zelando pela sua elevação espiritual, inspirando nobres e fraternas virtudes! Ela é quem, no Além-Túmulo, nos leva a meditar, através da experiência, produzindo em nosso ser a ciência de nós mesmos, o critério indispensável para as conquistas do futuro, de que hauriremos reabilitação para a consciência conturbada. É quem, a par do Amor, impele as criaturas à comiseração pelos demais sofredores, e a comiseração é o sentimento que arrasta à Beneficência. E é ainda ela mesma que nos enternece o coração, fazendo-nos avaliar pelo nosso o infortúnio alheio, predispondo-nos aos rasgos de proteção e bondade; e proteger os infelizes é amar o próximo, enquanto que amar o próximo é amar a Deus, pautando-se pela suprema lei recomendada no Decálogo e exemplificada pelo Divino Mestre!

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Por isso mesmo, o coração que sofre não é desgraçado, mas sim venturoso, porque renasce para as auroras da Perfeição, marcha para o destino glorioso, para a comunhão com o Criador Onipotente! Prisioneiro do atraso, o homem somente se desespera sob os embates da Dor porque não a pode compreender ainda. Ela, porém, é magnânima e não maléfica. Não é desventura, é necessidade. Não é desgraça, é progresso. Não é castigo, é lição. Não é aniquilamento, é experiência. Nem é martírio, mas prelúdio de redenção! Notai que – depois do sacrifício na Cruz do Calvário foi que Jesus se aureolou da glória que converterá os séculos:

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– “Quando eu for suspenso, atrairei todos a mim”. – Ele próprio o confirmou, falando a seus discípulos.

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Sob o seu ferrete é que nos voltamos para aquele misericordioso Pai que é o nosso último e seguro refúgio, a nossa consolação suprema!

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As ilusões passageiras da Terra, os prazeres e as alegrias levianas que infestam o mundo, aviltando o sentimento de cada um, nunca fizeram de seus idólatras almas aclaradas pelas chamas do amor a Deus. É que – para levantar na aridez das nossas almas a pira redentora da Fé só há um elemento capaz, e esse elemento é a Dor! Ela, e só ela, é bastante poderosa para reconciliar os homens – filhos pródigos – com o seu Criador e Pai!

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Seu concurso é, portanto, indispensável para nos aperfeiçoar o caráter, e inestimável é o seu valor educativo. Serena, vigilante, nobre heroica – ela é o infalível corretivo às ignomínias do coração humano!

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Nada há mais belo e respeitável do que uma alma que se conservou serena e comedida em face do infortúnio. Palpita nessa alma a epopeia de todas as vitórias! Responde por um atestado de redenção! Seu triunfo, conquanto ignorado pelo mundo, repercutiu nas regiões felizes do Invisível, onde o comemoraram os santos, os mártires de todos os tempos, os gênios da sabedoria e do bem, almas redimidas e amigas que ali habitam, as quais, como todos os homens que viveram e vivem sobre a Terra, também conheceram as correções da Dor, ela é a lei que aciona a Humanidade nos caminhos para o Melhor até a Perfeição!

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Ó almas que sofreis! Enxugai o vosso pranto, calai o vosso desespero! Amai antes a vossa Dor e dela fazei o trono da vossa Imortalidade, pois que, ao findar dessa trajetória de lágrimas a que as existências vos obrigam – é a glorificação eterna que receberei por prêmio!

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Salve, ó Dor bendita, nobre e fiel educadora do coração humano!

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E glória ao Espiritismo, que nos veio demonstrar a redenção das almas através da Dor!

Título: A grande educadora

Autor: Léon  Denis através da médium Yvonne Amaral Pereira

 Revista Reformador – Fevereiro 1978




Diante de Deus


Orai, portanto, assim: “Pai Nosso, [que estás] nos céus, santificado seja o teu nome.

Mateus 6:9

Para Jesus, a existência de Deus não oferece motivo para contendas e altercações.

Não indaga em torno da natureza do Eterno.

Não pergunta onde mora.

Nele não vê a causa obscura e impessoal do Universo.

Chama-Lhe simplesmente “nosso Pai”.

Nos instantes de trabalho e de prece, de alegria e de sofrimento, dirige-se ao Supremo Senhor, na posição de filho amoroso e confiante.

O Mestre padroniza para nós a atitude que nos cabe, perante Deus.

Nem pesquisa indébita.

Nem inquirição precipitada.

Nem exigência descabida.

Nem definição desrespeitosa.

Quando orares, procura a câmara secreta da consciência e confia-te a Deus, como nosso Pai Celestial.

Sê sincero e fiel.

Na condição de filhos necessitados, a Ele nos rendamos lealmente.

Não perguntes se Deus é um foco gerador de mundos ou se é uma
força irradiando vidas.

Não possuímos ainda a inteligência suscetível de refletir-Lhe a grandeza, mas trazemos o coração capaz de sentir-Lhe o amor.

Procuremos, assim, nosso Pai, acima de tudo, e Deus, nosso Pai, nos escutará.

Título: Diante de Deus

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo Mateus