Natal com Jesus


Quando da Sua chegada à Terra, não houve mobilização humana, nem estardalhaço, ou qualquer movimento de massas para informar à Humanidade que o Rei Solar descera à sombra do mundo.

Anunciado secularmente como o Messias, fez-se preceder por preparadores dos caminhos e trabalhadores da abnegação, a fim de que o Seu se fizesse o ministério da ternura, da compaixão, do amor.

No silêncio de uma noite fria Ele chegou acolitado por seres angélicos invisíveis e sob a luz fulgurante de alguns astros em conjunção de órbitas, a fim de que a sombra fosse menos densa no mundo, que Ele renovaria moralmente, quando acendeu a claridade inapagável da Verdade.

….E a partir daquele dia memorável a Humanidade nunca mais seria a mesma..

Ele revolucionou os paradigmas existentes na sociedade, implantando novos códigos de justiça, de ética, de moral, de valores para a vida, centrados no dever e na solidariedade, na alegria de viver e na justiça com igualdade para todos.

A partir da sinfonia do sermão da montanha apresentou às criaturas de todos os tempos uma nova maneira de compreender o Pai e de comportar-se em relação ao seu próximo.

Demonstrou que fracos e infelizes são os que dominam os outros sem valor para dominar-se a si mesmos; que poderosos são aqueles que vencem as más inclinações e se libertam das paixões inferiores; que ricos são os que se caracterizam pela pobreza de inferioridade moral e de tendências para o mal: que triunfadores são os que amam e perdoam aos demais, renovando-se sempre no bem, tornando-se todos, desse modo, bem-aventurados…

Nunca mais ninguém falaria como Ele se expressou ou faria o que Ele fez, reverdecendo as terras áridas por onde passou e semeando esperança em todo lugar.

Jesus é inigualável! E o seu Natal é a epopeia da Luz que se encarcerou por momentos, a fim de que prosseguisse brilhando para sempre.

É certo que estes também são dias muito semelhantes àqueles em que Ele viveu.

Há predominância das forças do mal, da anarquia, do desequilíbrio e as vidas são amesquinhadas pelo utilitarismo extravagante e perturbador.

No entanto, em razão da Sua mensagem, multiplicam-se em toda parte os Seus obreiros atentos para que se cumpram as Suas promessas e os indivíduos descubram as trilhas que Ele percorreu, seguindo-O empós e felicitando-se plenamente…

Esta é a tua oportunidade de encontrá-lO, caso ainda não tenhas estado com Ele.

Busca-O quanto antes, a fim de que não seja tarde demais…

E se O conheces, certamente O amas.

Utiliza-te, então, do Seu Natal para demonstrar que a Sua lição de ternura domina o teu coração, distribuindo-a com todos aqueles que te espiam ou que, longe de ti, aguardam por uma migalha de bondade que lhe podes e deves ofertar.

O Natal de Jesus é uma festa que se faz celebrada pelo Céu e a Terra, homenageando o Rei Solar que te aguarda no topo da subida, montanha acima, que deves empreender desde agora, superando-te e renovando-te.

Porfia no desiderato de estar com Ele e não desistas nunca, mesmo que descubras conspirações contra os teus ideais e esforços, incompreensões e dificuldades em relação aos objetivos a que te dedicas…

Quem O ama nunca teme, jamais se detém.

É Natal!

Ama, ajuda, perdoa e sê feliz com Jesus.

Título: Natal com Jesus

Autor: Espírito Joanna de Ângelis pela psicografia de Divaldo Franco




Gloriosa vitória da luz contra a treva!


Mensagem psicofônica de Bezerra de Menezes através de Divaldo Franco em 10/11/2019

Filhas e filhos bem-amados!

Que a paz de nosso Senhor Jesus Cristo permaneça em nossos corações!

Anoitece!…

Os dias gloriosos da ciência e da tecnologia de ponta estão sombreados pelas inquietações do sentimento humano que parece desvairar em toda parte.

O inconformismo, o desespero e o sofrimento assinalam a geração presente como a consequência do mau uso do livre-arbítrio nos dias do passado.

Todos anelávamos que estas fossem as horas da paz, amparados pelo conhecimento libertador da ignorância que a muitos tem proporcionado conforto e bem-estar; raramente, equilíbrio e paz.

A Barca Terrestre experimenta as ondas terríveis do mar agitado pelos conceitos da loucura e da desarmonia.

No entanto, Cristo vela e conduz, na condição de Nauta Divino, a embarcação ao porto de segurança.

Provavelmente, algumas dores se farão volumosas e terrificantes. Sucede, porém, que as almas rebeldes somente aquiescem diante de sofrimentos que as submetem à diretriz da fraternidade e do amor.

O Espiritismo veio no momento próprio quando a filosofia desvairava em várias denominações no século das luzes.

E hoje, novamente, a mensagem de redenção da Humanidade alcança as criaturas humanas com a filosofia do bem, como sendo a única que é capaz de proporcionar plenitude e esperanças quase não mais aguardadas.

Não desanimeis, não permitais que o mau humor e as injunções penosas que vos rodeiam os passos e tentam penetrar no vosso lar logrem o êxito que a invigilância, não raro, faculta.

Tende tento e mantende-vos em equilíbrio interior quanto seja possível.

Este é o grande momento em que as Escrituras desde há muito prenunciam como da mudança que se vem operando e atingem a sua culminância.

Nas experiências vividas nestes dias, no encontro do Conselho Federativo Nacional, conseguimos pacificar os corações e apoiar as ideias iluminativas no clima do Cristianismo Primitivo.

Não podemos viver a Doutrina Espírita sem a ética moral do Evangelho de Jesus.

A Humanidade tem sede de exemplos e está cansada de palavras.

Sois as cartas vivas do Evangelho e perseverai no objetivo sagrado de confortar os que choram, mas não apenas consolá-los, senão apontardes os caminhos pelos quais encontrarão a felicidade anelada.

São graves os testemunhos que todos nós, Espíritos desencarnados e encarnados em perfeita comunhão, deveremos oferecer, quais lograram os mártires das primeiras horas da fé cristã.

Nesse passado que já vai distante, as perseguições vinham de fora para dentro.

Agora, as angústias e as dores são do íntimo para fora, em razão das terríveis perturbações provocadas pelos inimigos da luz que se travestem de missionários de uma Nova Era.

Sim, a Era Nova irá caracterizar a grandeza do amor na operosidade da caridade junto a Humanidade terrestre.

O Brasil prossegue convidado a desempenhar a missão que foi confiada a Ismael pelo Divino Mestre.

E neste momento, turbado pelas paixões e pelos interesses vis, torna-se indispensável a serenidade da fé para que sejam enfrentados os terríveis vírus da crueldade, do materialismo e da indiferença pelo amor às forças vivas da Natureza culminando na criatura humana.

Vós perguntais por que estamos em um momento tão difícil de violência e deveremos agir como mansos e pacíficos se tudo nos chama a definições drásticas da violência que cada dia é mais perversa?!

O exemplo é Jesus, o Cordeiro de Deus imolado numa cruz de vergonha que Ele transformou em asas para a sublimação de todos os espíritos.

Não tergiverseis nem permiti-vos enfraquecer na luta.

É o fogo que purifica os metais, que dá resistência à argila e que modifica as paisagens.

É a dor a mensageira que Deus oferece àqueles aos quais ama de tal forma que, assinalados pelo ferrete do sofrimento, não tem outra alternativa senão a marcha na direção do calvário sublimador.

Poderia parecer que se trata de uma proposta masoquista em que a dor é preferencial.

Não se trata desta questão patológica. A Terra ainda é o planeta de provas e expiações e todos nela nos encontramos à busca do depuramento da inferioridade que teima em permanecer como herança perigosa das fases que já deveriam estar ultrapassadas, e não foi conseguida essa vitória.

Mas, logo depois da noite tenebrosa suavemente a madrugada irisa com as estrelas da alegria em um amanhecer de bênçãos e confortos para a vida gloriosa da imortalidade!

Filhas e filhos do coração!

Não fostes vós que vos candidatastes, foi o Senhor da Vida que fez um giro ao entardecer e convidou-vos à última hora para a Seara de Redenção.

Alegrai-vos porque o vosso será o mesmo salário dos heróis da hora primeira e exultai porque já vos encontrais ao lado do Dono da Vinha que logo mais estará convocando-vos para a prestação de contas e ireis apresentar o glorioso resultado da vitória da luz contra a treva.

Estais sob cuidados especiais. Não só de Ismael, mas de toda a equipe que zela pelo planeta neste momento decisivo, um dos mais graves da história da Terra: o grande salto para a Era da Felicidade.

Em nome dos Espíritos-espíritas, que estão convosco inaugurando o período da compreensão das diferenças, da compaixão pelos adversários, do entendimento dos opositores, com a disposição de abraçá-los a todos para apresentar-lhes ao Mestre, condutor do rebanho no qual vos encontrais, rejubilamo-nos e exaltamos Aquele que permanece o caminho na busca da verdade e da vida que é Jesus.

Muita paz, filhas e filhos do coração! É o que vos deseja o amigo paternal e humílimo de sempre,

Bezerra.
Muita paz!

(Mensagem psicofônica ditada pelo Espírito Bezerra de Menezes ao médium Divaldo Pereira Franco em 10 de novembro de 2019, no encerramento da reunião ordinária do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira realizada em Brasília, DF).




Saúde


Insiste na preservação da tua saúde.

Muitas enfermidades têm origem no temperamento desajustado, nas emoções em desalinho, em influências espirituais negativas.

A ansiedade, o medo, o pessimismo, a ira, o ciúme, o ódio, são responsáveis por males que ainda não se encontram catalogados, prejudicando a saúde física, emocional e mental.

Esforça-te por permanecer em paz, cultivando os pensamentos bons, que te propiciarão inestimáveis benefícios.

Conforme preferires mentalmente, assim te será a existência.

O conselho somente terá valor se estiveres disposto a segui-lo.

Quando estejas com dificuldade em qualquer assunto, recorre a uma pessoa mais experiente, mais bem equipada, pedindo-lhe ajuda e orientação.

Todavia, não leves a tua própria opinião, tentando prová-la verdadeira.

Ouve com cuidado, reflexiona e, depois, toma a decisão que te pareça mais acertada.

Por outro lado, não faças ouvidos moucos às orientações e conselhos que te dê-em ou que busques.

“Examina tudo e retém o que é bom”, ensina o Apóstolo, em nome do Bem.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco




Vazio existencial


Quando Sigmund Freud iniciou as suas pesquisas com pacientes histéricos especialmente, tornou-se o começo de uma das mais belas e oportunas interpretações da psique humana, dando lugar a uma verdadeira revolução cultural, desmistificando o sexo, suas funções e libertando-o da hipocrisia vitoriana que vigia triunfante.

Foi um período de inesperadas interpretações de transtornos emocionais e somatizações perturbadoras, que puderam ser tratados com cuidado, proporcionando existências menos turbulentas e desastrosas.

Embora a descoberta da libido sexual causasse surpresa e recebesse exagerado significado facultou mais amplas percepções e entendimento a respeito dos conflitos humanos.

Inevitavelmente, ocorreu um exagero na sua interpretação, principalmente por negar a realidade espiritual da humanidade.

Logo depois, Alfred Adler, discordando do mestre, iniciou as investigações nos conflitos da inferioridade humana, que culminaram na Psicologia individual e, com a cooperação de Karen Horney, formaram a Escola Neo-Freudiana.

Horney, ademais, discrepou das diferenças da psicologia de mulheres e de homens, afirmada por Freud e demonstrou que as mesmas resultam mais de fenômenos sociais e culturais do que da biologia.

Relativamente, ao mesmo tempo, Carl Gustav Jung afirmou que a libido, essa energia psíquica extraordinária, representa todas as forças da vida e não somente aquelas de natureza sexual. Procurou analisar as marcas antigas impressas no inconsciente e adotou a doutrina dos arquétipos, propiciando vida exuberante a todos aqueles que se encontram em conflitos desnorteantes.

Cada época da humanidade é assinalada pelas circunstâncias psicologicamente castradoras que respondem por enfermidades somatizadas perversas.

A ciência atual e a tecnologia de ponta proporcionam uma visão quase ilimitada sobre a existência do ser humano e enseja-lhe uma gama de informações que se multiplicam a cada momento, atormentando a cultura hodierna.

O conhecimento rápido e extremamente volumoso quão variado, não tem sido digerido de forma adequada e eis que surgem inquietadores a insatisfação, a frustração, ao lado do medo, da incerteza, do vazio existencial.

Vive-se a época do ter e do poder, do exibir-se e do desfrutar, sem a consequência da harmonia interior e do enriquecimento espiritual.

A aparência substitui a realidade e o importante não é o ser interior, porém o ego exaltado, que provoca inveja e competição no palco da ilusão.

De certo modo, foram perdidos o sentido existencial, o objetivo da vida, o foco transcendente da autorrealização. Em consequência, aumentam as patologias do comportamento e o banquete dos mascarados toma aspecto sombrio quando o álcool, a drogadição e o sexo desvairado passam a enlouquecer os grupos em depressão…

O avanço na direção do abismo na queda pelo suicídio, o abandono de si mesmo ou a violência desgovernada passam a ser a realidade indiscutível do processo de evolução social.

Tudo isso, como decorrência do vazio existencial que se apodera do indivíduo, porque não encontra apoio no sentimento de amor que vem desaparecendo a pouco e pouco do seu desenvolvimento moral.

A ambição pelas coisas de imediato significado tem substituído os valores realmente legítimos da emoção, quais sejam: a prece, a meditação, a solidariedade e o afeto.

Torna-se urgente o impositivo de uma alteração de conduta, buscando-se novos focos de interesse existencial, tais como: a conquista da paz, do trabalho de beneficência, da imortalidade.

O ser humano, graças ao seu instinto gregário, necessita de outrem, que contribui com recursos grandiosos, especialmente na área emocional da afetividade para a identificação de realizações em prol do progresso e do equilíbrio social, econômico, moral e ético.

A fraternidade, substituída pelo individualismo deve ceder o seu direcionamento para o conjunto, o todo, a convivência geral, incluindo a Natureza.

O desrespeito às forças vivas do Universo trabalha a favor da destruição do ser humano mais cedo ou tarde.

É imperioso que se trabalhe através da educação, por todos os meios ao alcance, em favor de objetivos sérios e bem estruturados para a existência.

Uma vida sem um sentido bem delineado, estimulador e doador de energias, torna-se apenas um fenômeno vegetativo que deve ser alterado para a dinâmica da autoconscientização.

Todos anelam e mantêm o desejo de liberdade, que somente adquire significado quando acompanhada pela responsabilidade em relação ao comportamento vivenciado, para que se não converta em libertinagem, conforme sucede neste momento em toda parte da civilização.

Esse desregramento, a leviandade com que são tratadas as questões de alto significado, quando atingem o fundo do poço, abrem espaço para governos arbitrários e cruéis que crucificam os países e os mantém sob injunções penosas, degradantes.

Desse modo, uma revisão de conceito em torno do existir é fundamental para preencher-se o íntimo de estímulos, mediante labores significativos e que produzam desafios contínuos.

Assim, o amor ao próximo, como decorrência do autoamor, faz-se terapia preventiva e curadora para quaisquer existências vazias, que se consomem na angústia, em sofrimentos indescritíveis.

Buscando-se a compreensão do sentido existencial que não se constitui de divertimentos ou fanfarronices, constata-se que os ideais do Bem são impostergáveis e ao entregar-se à sua conquista, mediante relacionamentos edificantes, nos quais a fraternidade se responsabilize pela construção do dever, consegue-se a vitória íntima.

Repentinamente, assim procedendo, cada qual que se dedique ao amor, à amizade sem jaça, descobrirá que essa é a meta a ser alcançada e o serviço de auxílio recíproco é o objetivo a que todos se devem dedicar.

A sociedade moderna tem necessidade de compreender que se renasce no corpo carnal para que seja alcançada a plenitude e não exclusivamente para as necessidades inferiores, as biológicas, conforme os estudos de Maslow em muito boa elaborada reflexão.

Assim sendo, a educação da libido freudiana, a superação do conflito de inferioridade adleriano, a compreensão profunda das neuroses, conforme Horney e a iluminação da sombra junguiana, ressurgem no conceito kardequiano, quando afirma que Fora da caridade não há salvação.

Título: Vazio existencial

Autor: Joanna de Ângelis através de Divaldo Franco   

Psicografia em 5 de setembro de 2018 no C. E. Caminho da Redenção em Salvador, Bahia, Brasil.




Mensagem psicofônica de Nilson de Souza Pereira


Almas queridas do caminho evolutivo.

Suplico a Jesus Sua misericórdia em forma de bênçãos para todos nós.

Há cinco anos desvestia-me do corpo carnal para retornar à Casa da Consciência da Verdade.

Recordo-me dos instantes finais em que o corpo consumido pelo câncer não tinha condições de prosseguir.

Perfeitamente consciente da ocorrência, passou-me com uma velocidade ciclópica toda a experiência carnal, em um retrospecto que jamais imaginei ser possível.

Revi-me jovem e vigoroso, sonhador e prepotente, atravessando os dias da infância até o momento do parto.

Não sei ainda hoje dizer o tempo dessa ideação cinematográfica.

Todas as cenas, muitíssimas que me pareciam sem importância, voltaram à tela da memória, enquanto o coração debilitado estertorava, sem a força de irrigar-me o corpo vencido.

E quando parou, eu me senti no ar, de imediato amparado por misericordiosas mãos que me sustentaram, enquanto uma doce voz me dizia palavras de alento e de fé.

Era a desencarnação.

Adormeci para despertar com as imagens do passado impregnadas no ser que respirava outra dimensão.

Não é fácil desencarnar.

Os apegos, os desejos não vivenciados, voltam impetuosos e provocam rios de lágrimas.

No meu caso, o trabalho em nome de Jesus assomava à minha mente, facultando-me ver projetos inacabados e aqueles que foram realizados com as imperfeições da minha incapacidade.

Não tive alternativa senão enfrentar a consciência, arrepender-me, programar correções e medir o esforço para continuar a luta.

A luta é nossa Instituição.

Pude vê-la em modelo no Além e na sua forma grotesca no Aquém.

Risos de incontido júbilo muitas vezes explodiam nos meus lábios envoltos em saudades inomináveis.

Quantas vezes desejei voltar, recomeçar, aparar as arestas, modificar conceitos.

Era tarde.

Comecei a desenhar projetos para o futuro ao lado dos meus irmãos e das minhas irmãs, aqui, onde Jesus me havia situado.

E neste breve período, largo e rápido ao mesmo tempo, tenho vivenciado com todos as emoções difíceis do sofrimento das multidões que nos buscam.

É bem diferente a visão espiritual daquela física.

Compreendi a magnitude do trabalho e a mesquinhez de fatos e ocorrências aos quais dera valor, arrependendo-me fortemente.

Dos senões que eu considerava insignificantes, mas que poderiam ser muito melhor conduzidos.

Não venho dar conselhos nem apontar rumos.

Venho solidarizar-me com a perseverança dos seus corações.

Venho agradecer as lembranças gentis do companheiro que viajou pela Casa.

Venho dizer-lhes que todo e qualquer investimento de amor tem um significado muito mais profundo do que as aparências e os resultados materiais.

Se possível, não desperdicemos tempo em quinquilharias que não conduzimos para a Vida maior.

É um momento de terríveis decisões no planeta terrestre.

Lutas, conflitos, aproximam-se com certa ferocidade, tentando envolver a nação brasileira no triste rol dos países vencidos pelo ódio.

Mantenhamo-nos juntos ao coração de Jesus.

Os nossos ideais de beleza, de simplicidade, as alegrias dos benefícios que nos podemos propiciar uns aos outros utilizando do Evangelho como roteiro de plenificação.

Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica
do Centro Espírita Caminho da Redenção,em Salvador, Bahia,
em 21 de novembro de 2018.




Dores e bênção


Dores e bênção

Agradece a dor que te punge o corpo e a alma, pois que ela é bênção de Deus para o teu processo evolutivo.
Que seria do metal se não permitisse que a ardência do fogo lhe desse maleabilidade?

Qual a finalidade do toro de madeira que não sofresse a lâmina aguçada que o fere e arranca do seu imo instrumentos valiosos para a Humanidade?

Que seria da lama desagradável, se recusasse o calor do Sol que a transforma em tijolo, ladrilho, vaso útil?

Assim também, sucede com o ser humano, ante os desconfortos proporcionados pelo sofrimento, encarregado da modelagem do Espírito, aformoseando-o para transformá-lo em arcanjo sublime.

Nunca te rebeles, pois, contra a dor.

Ela é a benfeitora desconhecida no processo de evolução dos seres.

Deixa-se perceber, inicialmente, pelo mal-estar que proporciona, sem pressa no burilamento do ser humano candidato à plenitude.

Onde existe beleza, encontra-se o trabalho de harmonia, no qual se desdobraram páginas de renovação e desgaste, por meio do sofrimento.

Bendize essa amiga detestada por muitos, que somente se apresenta onde seja necessária para o aprimoramento interior do ser humano e a sua perfeição.

Todos os seres a experimentam em variados graus de manifestação.

No humano, quanto mais dilaceradora, maiores e expressivos são os benefícios que propicia.

A estrela que fulge é matéria em elevada combustão, consumindo-se em temperaturas elevadíssimas.

Se pretendes os patamares da sublimação, não te detenhas nos charcos da ilusão e da comodidade.

Aprende a ascender sob a injunção provacional que te seja imposta pela Vida como tributo ao teu processo de autoiluminação.

Ninguém pode ver as estrelas lucilantes se estiverem sob o manto de densa atmosfera.

O canto de elogio à dor não é masoquismo perturbador, mas exaltação ao mecanismo ideal para a superação dos instintos básicos que ainda predominam em a Natureza.

Há dores e dores!

A dor que lapida a pedra bruta tem o objetivo de aprimoramento, enquanto a dor da revolta faz-se empurrão para o abismo da loucura.

Todo aquele que preserva e busca viver o ideal superior experimenta, numa como noutra oportunidade, a luminosa presença do sofrimento que se transforma em vitória, no percurso por onde avança.

Se te perguntarem por que os anjos amorosos permitem que sofras, responde que eles conhecem as razões de resgate dos acumpliciamentos com o crime, ora em recuperação.

Se eles retirassem esse laurel de que se utiliza o réprobo, ei-lo na imaturidade seguindo sem rumo.

A dor é mão generosa que guia e braço forte que submete aqueles que necessitam de paz.

Sempre encontrarás razão lúcida para justificar o estilete cortante do sofrimento.

Conhecerás a autenticidade de alguém afeiçoado à verdade pelas condecorações dos sofrimentos experienciados.

*   *   *

Jesus não rejeitou a traição de Judas, nem a negação de Pedro, que O amavam.

Previu-as, sabia que sucederiam, e não os amou menos.

Abençoou os mais variados sofrimentos sabendo da ingratidão de muitos e, no entanto, a sós prosseguiu intemerato até o fim.

Aqueles que O seguiram com abnegação e fidelidade provaram a taça de fel e de amargura e deram-lhe a vida.

O Seu amor não exige que se sofra para amá-lO.

Trata-se de uma consequência da própria decisão.

Enquanto o mundo favorece com mesquinhos resultados de breve duração, Ele proporciona inefável alegria sem tempo nem fim.

A matéria cumpre a elevada missão para a qual foi constituída: permitir que o espírito execute o ministério da plenitude.

Aglutina-se e desagrega-se sob a ação da energia inteligente que a comanda.

Contribui para o fim superior ou para complexos mecanismos de depuração.

Desde que encontraste o Mestre Galileu, percebeste singulares fenômenos dolorosos na tua existência.

Muitos procuram-nO com a ilusão de libertar-se do aguilhão que se lhes encontra cravado nas carnes da alma.

Nem sempre conseguem o anelo e é natural, porque, se lhes for retirado o instrumento ferinte, tombarão no fosso das paixões enlouquecedoras.

Na mediunidade dispões do conhecimento da verdade, na certeza da sobrevivência e nas inebriantes consolações para as aflições que te maceram.

Deves entender, no entanto, que a faculdade é portadora de metodologia santificante para o seu portador.

O denominado calvário dos médiuns realmente tem sentido, por ser via de superação da inferioridade moral.

Por meio dela penetrarás no mundo subjetivo e vivenciarás a vida espiritual que te fascinará, atraindo-te para fruí-la, desde agora, na roupagem orgânica.

Os tempos modernos e acomodatícios, ricos de indolência e futilidade, liberam divertimentos e prazeres variados, evitando testemunhos e devotamento afetivo.

Jesus pede fidelidade e doação, renúncia e abnegação.

Aprende a encontrar essas concessões quando sofras.

Serão fáceis de ser alcançadas, porque, no seu suceder, propiciam  venturas e paz insuperáveis.

*   *   *

Fiel ao objetivo que abraças, não rejeites os testemunhos que te sejam impostos pelas Soberanas leis da Vida.

Aceita-os como qualificação para melhores resultados da tua empresa libertadora.

Acima e além, de quaisquer outras excogitações alegra-te, quando sofrendo, porque esse é o sinal de que estás na trilha certa, no caminho redentor.

 

Título: Dores e bênção

Autor: Joanna de Ângelis pela psicografia de Divaldo Franco

Na sessão mediúnica da noite de 15 de fevereiro de 2017, no Centro Espírita Caminho da Redenção, Em Salvador, Bahia.




Estas outras dores


Estas outras dores

Quando te preparavas para o labor reencarnacionista e dispunhas de visão lúcida, mediante a qual discernir em relação ao próprio futuro, rogaste a soma das aflições redentoras que ora chegam em abençoadas provações.

Não obstante o programa expiatório relativo às arbitrariedades e cometimentos infelizes perpetrados antes, que se fazia imperioso regularizar, solicitaste a oportunidade de sofrer sem revolta nem alucinação novas cargas de padecimentos, como advertências e a fim de que não tombasse em resvaladouros mais profundos ou compromissos mais inditosos…

Mesmo depois do mergulho nas vestes físicas, quando em parcial desdobramento pelo sono, ouvindo os nobres instrutores desencarnados entretecendo comentários sobre a Vida imperecível e feliz, voltaste a instar pelos sofrimentos de que dizias necessitar, para não sucumbires ante o ópio letal das tentações…

Preferiste o auxílio da soledade e da amargura às facilidades perigosas e às plenitudes anestesiantes, no firme propósito de edificação da ventura.

*

Levanta, portanto, o ânimo e faze cantar o amor e luzir a caridade, enquanto te transformes em mensagem viva de otimismo e de esperança para os que se encontram menos aparelhados para o triunfo, quiçá menos sofridos, também, mas que não possuem as tuas fortunas de fé.

Trabalha, infatigavelmente, pelo teu próximo, apesar das rudes ânsias do coração e das duras penas do teu silêncio, vencendo cada dia uma etapa nova, na rota do teu avançar e crescer.

Não são todas as tuas dores expiação lapidante.

São prêmio, também, para a tua ascensão, por enquanto desafio que te compete superar.

Mediante austeras disciplinas da mente, da vontade e do corpo sobrepairarás em todos os impositivos causticantes de agora.

Exulta e não chores mais as provas solicitadas, embora a ausência de lágrimas nos teus olhos requeimados.

Não permitas que te vejam as paisagens íntimas, assinaladas de tristeza.

Quanto mais passamos ignorados, melhor crescemos e nos adiantamos.

*

Que todos de ti exijam sem dar-te, tornando-se, sem o perceberem, sicários seguros e constantes fiscais que te não desculpam, mas sempre te impõem.

Não reclames, não recalcitres, não os decepciones.

A ti não te permitas vacilações ou desculpas, enquanto que a eles sim, faculta-lhes ser o que são ou preferem ser.

Se te analisam e são severos para contigo, estão no papel que se atribuíram.

Se te perturbam e molestam, desenvolvem o programa com que se afinam.

Se não te amam e te amarguram, são instrumentos do teu aprimoramento, sem o saberem.

Tu, não!

Renasceste para a sinfonia do amor e do trabalho, aliás, como todos, mesmo os que retardam esse momento.

Conheces Jesus!

Segue-O, então, resoluto, sabendo que O encontrarás, após vencida esta etapa com que te apressas a evolução, após superadas as tuas aspirações e estas outras dores que solicitaste resgatar em clima de urgência para a tua mais rápida liberação.

Título: Estas outras dores

Autor: Joanna de Ângelis pela psicografia de Divaldo Franco

Livro: Rumos libertadores (Estudo do Cap.  XXIV – item 19 de O Evangelho Segundo o Espiritismo)




Julgamentos


Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.
Mateus, 7:5

Toda vez que o indivíduo, descredenciado legalmente, procede a um julgamento caracterizado pela impiedade e pela precipitação, realiza de forma inconsciente a projeção da sombra que nele jaz, desforçando-se do conflito e da imperfeição que lhe são inerentes, submetido como se encontra à sua crueza escravizadora em tentativa de libertar-se.

A delicada questão do julgamento é dos mais complexos desafios que enfrenta a Psicologia Profunda, em razão dos inúmeros fatos que se encontram subjacentes no ato, quase sempre perverso, de medir a conduta de outrem com recursos nem sempre próprios de ética, justiça e dignidade.

Analisá-lo, é devassar o inconsciente daquele que se atribui o direito de penetrar na problemática de outrem, embora ignore várias causas difíceis de ser identificadas, porque específicas, mantendo um comportamento, por sua vez, mais danoso, mais credor de correção e censura, do que aquele que no seu próximo pretende punir.

Mediante mecanismo automático de liberação das cargas de culpa e medo retidas no inconsciente, o julgador escusa-se de desvelar as imperfeições morais que possui, facilmente identificando o mínimo reprochável noutrem, por encontrar-se atribulado por gravames iguais uns e outros muito mais perturbadores.

Estudiosos modernos das propostas neotestamentárias, examinando o texto em epígrafe sob a óptica de uma teologia mais compatível com os avanços da Psicologia Profunda, situam-no entre aqueles que são denominados como os discursos da ira proferidos por Jesus, dentre os quais estão as lamentações a respeito de todos os que desconsideravam a Boa-nova, e foram chamados de ais… (Ai de vós, escribas e fariseus, etc.)

Esses severos alertas traduzem as reações do Homem-Jesus tomado pela ira santa, aquela que reflete a Sua natureza humana, sem qualquer laivo, no entanto, de ressentimento ou ódio, de menosprezo ou desconsideração pelos indivíduos incursos nas Suas austeras palavras.

Ressaltam, isto sim, a grandeza da Sua masculinidade enérgica, que não se detinha diante dos comprometimentos pusilânimes e sofistas, irônicos e perversos, a fim de despertar-lhes as consciências adormecidas, cindindo a sombra neles predominante por intermédio da austeridade e do chamamento ao dever, ao conhecimento de si mesmos e a reflexões em torno dos seus limites, de forma que se transformassem em terapia saudável, auxiliando-os em futuros comportamentos.

Era também a maneira vigorosa para dissipar a sombra coletiva que pairava sobre todo o povo vitimado pela predominância do desconhecimento da sua realidade essencial.

Não poucas vezes Jesus foi convidado a enfrentar esses tecelões da injúria e da desdita alheia, caracterizados pela sordidez da hipocrisia sem disfarce, na qual ocultavam os seus sentimentos reais, sempre prontos para acusar, desferindo golpes impiedosos contra todos aqueles que lhes estivessem sob a injunção da observação perversa.

Hábeis na arte de dissimular as desditas interiores, especializavam-se em desvelar nos outros as torpezas morais que os infelicitavam e não tinham coragem de enfrentar.

É sempre esse o mecanismo oculto que tipifica o acusador contumaz, o justiçador dos outros, o vigia dos deslizes das demais pessoas.

Sentindo-se falidos interiormente por não poderem superar as atrações morbosas da personalidade enferma, revestem-se de puritanismo e de falsa sabedoria, facultando-se direitos que se atribuem, e tornando-se impiedosos perseguidores das criaturas sobre as quais projetam aquilo que detestam em si próprios.

Os fariseus celebrizaram-se por essa capacidade sórdida, buscando equipar-se de conhecimentos na Torá e nos demais livros sagrados, como se todas as obras de libertação humana igualmente não merecessem o direito de ser também sagradas, para melhor se imiscuírem na observação dos atos que diziam respeito ao próximo, formalistas e ríspidos, não obstante interiormente como um sepulcro, todo podridão conforme acentuou Jesus em ocasião própria.

Ainda permanece essa conduta soez em todos os segmentos da sociedade, particularmente nos grupamentos religiosos, nos quais aqueles que se sentem incapazes de crescer, por acomodação mental ou incapacidade moral, tornam-se agudos vigias dos irmãos que os ultrapassam e não merecem perdão, por estarem libertando-se da sombra que eles ainda nem sequer identificaram…

Detalhistas e hábeis na faculdade de confundir, esmeram-se na apresentação externa a que dão excessivo valor, porque se sentem inferiores e pecaminosos, julgando com aspereza e rancor todos quantos os superam em quaisquer valores éticos, morais, espirituais, culturais, de abnegação e beleza.

Jesus jamais os temeu por conhecer-lhes os abismos interiores, a insânia, a jactância.

Justa, portanto, a Sua ira, que se apresentava com um caráter de corajosa decisão para não permitir a ingerência de tão perniciosos fiscais que se atribuíam o direito e o dever de perturbar Lhe o Ministério que inaugurara.

Essa coragem, que não silenciava em nome da falsa humildade, a que esconde covardia ou omissão, provocava-lhes, como ainda hoje ocorre mais acendrado ódio, levando-os a acionarem armadilhas cada vez mais sutis ou afrontosas, concomitantemente arrebanhando sequazes que permaneciam a soldo da sua infâmia.

Não se repetem, ainda hoje, as mesmas condutas ardilosas e
infamantes?

O julgamento legal tem raízes nas conquistas da ética e do direito, do desenvolvimento cultural dos povos e dos homens, concedendo ao réu a oportunidade de defesa enquanto são tomadas providências hábeis para que sejam preservados os seus valores humanos, as suas conquistas de cidadão.

Essa a diferença entre a conduta da civilização em relação à barbárie, do homem vencedor da sombra em confronto com o mergulhado nela.

Examina-se a conduta infeliz de alguém que cometeu um delito, sem dúvida, mas não perdeu a qualidade de ser humano, requerendo dignidade e misericórdia, por mais hediondo haja sido o seu crime, a fim de não se lhe equipararem em rudeza e primitivismo os seus julgadores.

O julgamento, porém, que, insensato, arbitrário e contumaz, decorre da inferioridade do opositor, que apenas vê a própria imagem projetada e odeia-a, sedento de destruição para libertar-se do pesado fardo, ferindo a outrem, é covarde e cruel.

A análise do erro é sempre uma necessidade impostergável, quando não se faz realizada com perversas intenções de dominação do ego, totalmente divorciada da lei de amor e de caridade.

Analisar para auxiliar, para corrigir, para educar, é valiosa contribuição para a construção do ser moral, psicológico e espiritual.

Dessa forma, é inevitável que, toda vez quando se é defrontado pelas ocorrências do cotidiano, o próprio senso crítico e de discernimento proceda a julgamento, examine a atitude, a conduta alheia, não assumindo, porém, a postura de censor, de responsável pela sociedade que pensaria estar defendendo.

A sutileza se encontra na capacidade de não converter a apreciação e o exame de situação em condenação que exige castigo, mas solidariedade ou auto precaução para que não incida no mesmo equívoco.

Graças a esse comportamento, manifesta-se a maturidade do ser humano, que ora sabe entender o correto em relação ao errado, a ação dignificante em confronto com a reprochável, a comparação entre o saudável e o patológico.

Jesus, que sabia examinar sem julgar, muito menos punir, como consequência viveu sempre muito feliz.

A Sua Doutrina é todo um poema de alegria, de libertação dos conflitos, de autoiluminação e de engrandecimento a Deus manifesto em todas as coisas, desde as simples sementes e grãos pequeninos, às aves dos Céus, às redes de pescar, aos lírios do campo, ao azeite, à lâmpada, à Mãe–natureza e ao Excelso Pai, a Quem ninguém nunca viu…

Aquele Homem, especial pela própria grandeza e autoridade de que se fazia revestido, as quais Lhe foram concedidas pelo Pai,em todo momento exteriorizava bom humor e alegria,sem vulgaridade; severidade quando necessário, nunca, porém,hostilidade; fazia-se generoso incessantemente, jamais covarde; amigo incomum de todos, não conivente com as suas defecções.

Sabia como desmascarar a hipocrisia e não trepidava em repreender os portadores da dissimulação mesquinha; possuidor, no entanto, do sentimento socorrista para com todos, tornava-se Psicoterapeuta incomparável.

O farisaísmo permanece nos relacionamentos humanos, com as suas várias máscaras, ferindo ou tentando dificultar a marcha dos homens idealistas, daqueles que estão construindo a nova sociedade para o mundo melhor do futuro.

A sombra em projeção torna-se julgamento que a sã conduta e a harmonia psicológica diluem na perfeita identificação dos valores do Self triunfando sobre os caprichos do ego.

Diante dos julgamentos direcionados pelos sentimentos servis e dos julgadores sistemáticos, considere-se, pois, com cuidado a severa advertência do Homem de Nazaré:
— Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.

Título: Julgamentos

Autor: Joanna de Ângelis pela psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda




Encontro com a Paz e a Saúde


Analisando-se o atual comportamento humano, não padece dúvida de que a sociedade terrestre encontra-se enferma.

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Os altos índices da violência individual e coletiva que assola o mundo, apresentam-se assustadores, numa triste demonstração da predominância dos atavismos ancestrais, que não foram superados pelo advento da razão, do discernimento, dos sentimentos de amor.

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A agressividade ronda as existências, ameaçando-as de extermínio sob todos os aspectos considerados: sejam a Natureza em si mesma, os vegetais, os animais e os demais seres humanos…

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A perversidade e a hediondez dão-se as mãos, ampliando as forças em favor da desordem e do primitivismo.

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Sucessivas ondas de criminalidade avolumam-se e espraiam-se incessantes, a quase tudo e todos arrastando para o abismo do desespero.

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O desrespeito às leis e a indiferença pelo destino da humanidade aumentam o pânico nas pessoas mais frágeis e a depressão, resultante também de muitos outros fatores, torna-se de natureza pandêmica.

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As massas parecem anestesiadas pelo sofrimento, havendo perdido o rumo e a confiança em melhor futuro, deixando-se arrastar por líderes inescrupulosos que as hipnotizam, na política, na economia, na religião, nos divertimentos vulgares e promíscuos, mediante os quais lhes amolentam os últimos bastiões de dignidade e de respeito pela vida.

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A paz, atemorizada, não consegue atrair para os seus programas, todos quantos anelam pela sua presença no coração, mas não sabem como consegui-la.

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Há desvios de toda ordem, levando a lugar nenhum, nesses caminhos tortuosos da busca da saúde e da auto-realização.

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Governos e associações dedicados ao Bem não encontram ressonância nas consciências nacionais e internacionais para a erradicação da pobreza, das doenças e de outros males que se propagam velozmente.

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Tentativas de salvamento do planeta são rejeitadas com descaso por nações poderosas, e enquanto proclamam os direitos humanos que desrespeitam, afastam-se das conferências que tentam manter a igualdade das raças, em total desprezo pela liberdade que proclamam e fingem defender mediante o uso de armas destrutivas…

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Ameaças de guerras hediondas pairam no ar, como se a sociedade não se encontrasse em conflitos declarados e não-declarados, exaurindo os cofres do poder econômico, que poderiam ser abertos para a solidariedade, através da educação, do trabalho remunerado, da saúde, da extinção de enfermidades cruéis que se instalaram e permanecem no mundo…

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A arrogância de uns poderosos e a submissão humilhante de outros deles dependentes, demonstram a predominância da força bruta sobre a inteligência e os valores morais, proclamando a vitória da insensatez sobre o equilíbrio…

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Inegavelmente, os horizontes do futuro apresentam-se, do ponto de vista imediato, sombreados pelo desespero e pela anarquia, porquanto é visível e assustadora a presença do crime de todo jaez ante os braços cruzados da cultura submetida ao talante dos dominadores de um dia…

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Apesar dessa paisagem triste, que se vem alastrando pelos diversos quadrantes do orbe terrestre, uma tênue luz de esperança começa a diluir-lhe as sombras dominantes, no rumo de um meio-dia claro de Sol e de bênçãos.

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Essas infelizes ocorrências são os frutos espúrios dos tormentos individuais, daqueles que dominam as pessoas, assinalando-as com as aflições.

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Como a sociedade influi no comportamento individual, este, por sua vez, é o aglutinador do grupo social, interdependendo-se mutuamente, em incessante fluxo de energias.

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Embora as soluções devam ser propostas pelos grupamentos, será no indivíduo que se devem trabalhar as bases do ajustamento, as diretrizes do reequilíbrio, os valores éticos em benefício da sua saúde física, emocional,psíquica e moral, ante o compromisso inadiável da aquisição da paz.

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Todo o empenho possível deve ser direcionado ao cidadão deste momento, que se encontra aturdido, assim como às gerações novas que deverão ser atendidas com carinho e programas educacionais sérios, de modo a recuperar-se a saúde geral e salvar o planeta que padece a alucinação dos seus habitantes.

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Indispensável, pois, se torna, a formação de uma cultura de amor, porquanto é necessário aprender-se a amar, superando-se os conflitos internos e modificando os sentimentos que se armam contra, quando deveriam desarmar-se para somente amar, facultando a instalação de um clima existencial de respeito pela vida em todas as suas expressões.

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Aprofundar-se a sonda investigadora das causas das aflições humanas no cerne do ser, constitui dever de todos, de modo a encontrar-se as causas profundas e predominantes, geratrizes da conjuntura perturbadora, erradicando-as e substituindo-as por outras de caráter dignificante.

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O indivíduo, na sua condição de célula básica do grupo social, necessita de orientação e acompanhamento, de oportunidade para o exercício da sua cidadania, de recursos que lhe promovam o bem-estar e a dignidade.

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As doutrinas materialistas infelizmente vêm contribuindo cada vez mais em favor do desconserto moral da criatura humana, oferecendo-lhe uma visão pessimista do mundo e da existência, desse modo contribuindo em favor do utilitarismo e do imediatismo, da preocupação exclusiva consigo mesma, em detrimento das demais, como se alguém pudesse viver feliz com o egoísmo e a indiferença em torno da sua realidade de ser imortal.

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O ser integral está além do corpo físico, devendo ser considerado como o princípio inteligente que é, o envoltório semimaterial que o reveste, e a forma física em que se movimenta enquanto no processo da evolução terrestre.

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Responsável pelos atos que pratica, semeia e colhe conforme o nível de evolução em que se encontra, avançando, incessantemente, no rumo da sua destinação gloriosa, que é a perfeição relativa que o aguarda.

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Nesse sentido, o Espiritismo oferece-lhe um valioso arsenal de experiências e de conhecimentos que o capacitam para os enfrentamentos internos e as refregas externas, preparando-o para a valorização da vida, o autoconhecimento, a fim de penetrar na área onde dormem as seguras diretrizes para a felicidade, que devem ser despertadas.

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Portador da mais excelente psicoterapia para o equilíbrio e a ventura, centra os seus valiosos recursos no exercício do amor, ampliando-o em chamas de iluminação libertadora da ignorância, que culmina em a vivência da caridade. […]

Salvador, 24 de dezembro de 2006.

Título: Encontro com a Paz e a Saúde

Autor: Divaldo Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis. 

Livro: Encontro com a Paz e a Saúde.

 




Libertação da Consciência


Não aguardemos que o aplauso do mundo coroe as nossas expectativas.

Não esperemos que as alegrias nos adornem de louros ou que uma coroa de luz desça sobre a nossa cabeça, vestindo-nos de festa.

Quem elegeu Jesus, não pode ignorar a cruz da renúncia.

Quem O busca, não pode desdenhar a estrada áspera do Gólgota.

Quem com Ele se afina, não pode esquecer que, Sol de primeira grandeza como é, desceu à sombra da noite, para ser o porto de segurança luminosa, no qual atracaremos a barca de nosso destino.

Jesus é o nosso máximo ideal humano, Modelo e Guia seguro.

Aquele que travou contato com a Sua palavra nunca mais O esquece.

Quem com Ele se identifica, perdeu o direito à opção, porque a sua, passa a tornar-se a opção d’Ele, sem o que, a vida não tem sentido.

Não é esta a primeira vez que nos identificamos com o Seu verbo libertador. Abandoná-lo é infidelidade, que O troca pelos ouropeis e utopias do mundo, de breve duração.

Não é esta a nossa experiência única no santuário da fé, que abraçamos desde a treva medieval, erguendo monumentos ao prazer, distantes da convivência com a dor.

Voltamos à mesma grei, para podermos, com o Pensamento Divino vibrando em nós, lograr uma perfeita identificação.

Lucigênitos, procedemos do Divino Foco, para o qual marchamos.

Seja, pois, a nossa caminhada assinalada pelas pegadas de claridade na Terra, a fim de que, aquele que venha após os nossos passos, encontre as setas apontando o caminho.

Jesus não nos prometeu os júbilos vazios dos tóxicos da ilusão. Não nos brindou com promessas vãs, que nos destacassem no cenário transitório da Terra.

Antes, asseverou, que verteríamos o pranto que precede à plenitude, e teríamos a tristeza e a solidão que antecedem à glória solar.

Não seja, pois, de surpreender que, muitas vezes, a dificuldade e o opróbrio, o problema e a solidão caracterizem a nossa marcha. Não seja de surpreender, portanto, que nos vejamos em solidão com Ele, já que as

Suas, serão as mãos que nos enxugarão o pranto, enquanto nos dirá, suavemente: Aqui estou!

Perseveremos juntos, cantando o hino da alegria plena na ação que liberta consciências, na atividade que nos irmana e no amor que nos felicita.

 

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco na obra: Momentos Enriquecedores