O Livro dos Espíritos - Questão 812


Por não ser possível a igualdade das riquezas, o mesmo se dará com o bem-estar?

Não, mas o bem-estar é relativo e todos poderiam dele gozar, se se entendessem convenientemente, porque o verdadeiro bem- estar consiste em cada um empregar o seu tempo como lhe apraza e não na execução de trabalhos pelos quais nenhum gosto sente. Como cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. Em tudo existe o equilíbrio; o homem é quem o perturba.

a) Será possível que todos se entendam?

Os homens se entenderão quando praticarem a lei de justiça.

Pergunta: 812

Livro: O Livro dos Espíritos

Autor: Allan Kardec




O Livro dos Espíritos - Questão 830


Quando a escravidão faz parte dos costumes de um povo, são censuráveis os que dela aproveitam, embora só o façam conformando-se com um uso que lhes parece natural?

O mal é sempre o mal e não há sofisma que faça se torne boa uma ação má. A responsabilidade, porém, do mal é relativa aos meios de que o homem disponha para compreendê-lo. Aquele que tira proveito da lei da escravidão é sempre culpado de violação da lei da Natureza, mas aí, como em tudo, a culpabilidade é relativa. Tendo-se a escravidão introduzido nos costumes de certos povos, possível se tornou que, de boa-fé, o homem se aproveitasse dela como de uma coisa que lhe parecia natural. Entretanto, desde que, mais desenvolvida e, sobretudo, esclarecida pelas luzes do Cristianismo, sua razão lhe mostrou que o escravo era um seu igual perante Deus, nenhuma desculpa mais ele tem.

Pergunta: 830

Livro: O Livro dos Espíritos

Autor: Allan Kardec




Nascimento de Tio Nilson


Em 26 de outubro de 1924 nascia o saudoso Tio Nilson, como era carinhosamente chamado.

Fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção (1947) e a Obra Social da Mansão do Caminho (1952), juntamente com Divaldo Franco, a qual presidiu durante anos.

Portador de uma dedicação incomum, era considerado o “homem dos sete instrumentos”, por sua capacidade de exercer as mais variadas funções.

Que o exemplo desse homem nobre e simples sirva de demonstração atual de que é possível viver Jesus nos dias modernos.

tio nilson




Lembrança fraternal aos enfermos


Depois dessas [coisas], encontrando-o no Templo, Jesus lhe disse: eis que te tornaste são, não [mais] peques para que não te suceda algo pior.

João 5:14

Queres o restabelecimento da saúde do corpo e isso é justo.

Mas, atende ao que te lembra um amigo que já se vestiu de vários corpos e compreendeu, depois de longas lutas, a necessidade da saúde espiritual.

A tarefa humana já representa, por si, uma oportunidade de reerguimento aos espíritos enfermos.

Lembra-te, pois, de que tua alma está doente e precisa curar-se sob os cuidados de Jesus, o nosso Grande Médico.

Nunca pensaste que o Evangelho é uma receita geral para a humanidade sofredora?

É muito importante combater as moléstias do corpo; mas, ninguém conseguirá eliminar efeitos quando as causas permanecem.

Usa os remédios humanos, porém, inclina-te para Jesus e renova-te, espiritualmente, nas lições de seu amor.

Recorda que Lázaro, não obstante voltar do sepulcro, em sua carne, pela poderosa influência do Cristo, teve de entregar seu corpo ao túmulo, mais tarde. O Mestre chamava-o a novo ensejo de iluminação da alma imperecível, mas não ao absurdo privilégio da carne imutável.

Não somos as células orgânicas que se agrupam, a nosso serviço, quando necessitamos da experiência terrestre. Somos espíritos imortais e esses microrganismos são naturalmente intoxicados, quando os viciamos ou aviltamos, em nossa condição de rebeldia ou de inferioridade.

Os estados mórbidos são reflexos ou resultantes de nossas vibrações mais íntimas.

Não trates as doenças com pavor e desequilíbrio das emoções. Cada uma tem sua linguagem silenciosa e se faz acompanhar de finalidades específicas.

A hepatite, a indigestão, a gastralgia, o resfriado são ótimos avisos contra o abuso e a indiferença. Por que preferes bebidas excitantes, quando sabes que a água é a boa companheira, que lava os piores detritos humanos? Por que o excesso dos frios no verão e a demasia de calor nos tempos de inverno? Acaso ignoras que o equilíbrio é filho da sobriedade? O próprio irracional tem uma lição de simples impulso, satisfazendo-se com a sombra das árvores na secura do estio e com a benção do sol nas manhãs hibernais.

Pela tua inconformação e indisciplina, desordenas o fígado, estragas os órgãos respiratórios, aborreces o estômago. Observamos, assim, que essas doenças-avisos se verificam por causas de ordem moral. Quando as advertências não prevalecem, surgem as úlceras, as congestões, as nefrites, os reumatismos, as obstruções, as enxaquecas.

Por não se conformar o homem, com os desígnios do Pai que criou as leis da natureza como regulamentos naturais para a sua casa terrestre, submete as células que o servem ao desregramento, velha causa de nossas ruínas.

E que dizermos da sífilis e do alcoolismo procurados além do próprio abuso?

Entretanto, no capítulo das enfermidades que buscam a criatura, necessitamos considerar que cada uma tem sua função justa e definida.

As moléstias dificilmente curáveis, como a tuberculose, a lepra, a cegueira, a paralisia, a loucura, o câncer, são escoadouros das imperfeições.

A epidemia é uma provação coletiva, sem que essa afirmativa, no entanto, dispense o homem do esforço para o saneamento e higiene de sua habitação.

Há dores íntimas, ocultas ao público, que são aguilhões salvadores para a existência inteira.

As enfermidades oriundas dos acidentes imprevistos são resgates justos.

Os aleijões são parte integrante das tabelas expiatórias.

A moléstia hereditária assinala a luta merecida.

Vemos, portanto, que a doença, quando não seja a advertência das células queixosas do tirânico senhor que as domina, é a mensageira amiga convidando a meditações necessárias.

Desejas a cura; é natural. Mas, precisas tratar-te a ti mesmo para que possas remediar ao teu corpo.

Nos pensamentos ansiosos, recorre ao exemplo de Jesus. Não nos consta que o Mestre estivesse algum dia de cama; todavia, sabemos que ele esteve na cruz.

Obedece, pois, a Deus e não te rebeles contra os aguilhões.

Socorre-te do médico do mundo ou de teu irmão do plano espiritual, mas, não exijas milagres, que esses benfeitores da terra e do céu não podem fazer. Só Deus te pode dar acréscimo de misericórdia, quando te esforçares por compreendê-lo.

Não deixes de atender às necessidades de teus órgãos materiais que constituem a tua vestimenta no mundo; mas, lembra-te do problema fundamental que é a posse da saúde para a vida eterna.

Cumpre teus deveres, repara como te alimentas, busca prever antes de remediar e, pelas muitas experiências dolorosas que já vivi no mundo terrestre, recorda comigo aquelas sábias palavras do Senhor ao paralítico de Jerusalém: – “Eis que já estás são, não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior”.

Título: Lembrança fraternal aos enfermos

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo João

 




Embainha tua espada


[…] Lança a espada na bainha.

João 18:11

A guerra foi sempre o terror das nações.

Furacão de inconsciência, abre a porta a todos os monstros da iniquidade por onde se manifesta.

O que a civilização ergue, ao preço dos séculos laboriosos de suor, destrói com a fúria de poucos dias.

Diante dela, surgem o morticínio e o arrasamento, que compelem o povo à crueldade e à barbaria, em razão das quais aparecem dias amargos de sofrimento e regeneração para as coletividades que lhe aceitaram os desvarios.

Ocorre o mesmo, dentro de nós, quando abrimos luta contra os semelhantes.

Sustentando a contenda com o próximo, destruidora tempestade de sentimentos nos desarvora o coração. Ideais superiores e aspirações sublimes longamente acariciados por nosso espírito, construções do presente para o futuro e plantações de luz e amor, no terreno de nossas almas, sofrem desabamento e desintegração, porque o desequilíbrio e a violência nos fazem tremer e cair nas vibrações do egoísmo absoluto que havíamos relegado à retaguarda da evolução.

Depois disso, muitas vezes devemos atravessar aflitivas existências de expiação para corrigir as brechas que nos aviltam o barco do destino, em breves momentos de insânia.

Em nosso aprendizado cristão, lembremo-nos da palavra do Senhor:

-“Embainha tua espada…”

Alimentando a guerra com os outros, perdemo-nos nas trevas exteriores, esquecendo o bom combate que nos cabe manter em nós mesmos.

Façamos a paz com os que nos cercam, lutando contra as sombras que ainda nos perturbam a existência, para que se faça em nós o reinado da luz.

De lança em riste, jamais conquistaremos o bem que desejamos.

A cruz do Mestre tem a forma de uma espada com a lâmina voltada para baixo.

Recordemos, assim, que, em se sacrificando sobre uma espada simbólica, devidamente ensarilhada, é que Jesus conferiu ao homem a bênção da paz, com felicidade e renovação.

Título: Embainha tua espada

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo João




Julgamentos


Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.
Mateus, 7:5

Toda vez que o indivíduo, descredenciado legalmente, procede a um julgamento caracterizado pela impiedade e pela precipitação, realiza de forma inconsciente a projeção da sombra que nele jaz, desforçando-se do conflito e da imperfeição que lhe são inerentes, submetido como se encontra à sua crueza escravizadora em tentativa de libertar-se.

A delicada questão do julgamento é dos mais complexos desafios que enfrenta a Psicologia Profunda, em razão dos inúmeros fatos que se encontram subjacentes no ato, quase sempre perverso, de medir a conduta de outrem com recursos nem sempre próprios de ética, justiça e dignidade.

Analisá-lo, é devassar o inconsciente daquele que se atribui o direito de penetrar na problemática de outrem, embora ignore várias causas difíceis de ser identificadas, porque específicas, mantendo um comportamento, por sua vez, mais danoso, mais credor de correção e censura, do que aquele que no seu próximo pretende punir.

Mediante mecanismo automático de liberação das cargas de culpa e medo retidas no inconsciente, o julgador escusa-se de desvelar as imperfeições morais que possui, facilmente identificando o mínimo reprochável noutrem, por encontrar-se atribulado por gravames iguais uns e outros muito mais perturbadores.

Estudiosos modernos das propostas neotestamentárias, examinando o texto em epígrafe sob a óptica de uma teologia mais compatível com os avanços da Psicologia Profunda, situam-no entre aqueles que são denominados como os discursos da ira proferidos por Jesus, dentre os quais estão as lamentações a respeito de todos os que desconsideravam a Boa-nova, e foram chamados de ais… (Ai de vós, escribas e fariseus, etc.)

Esses severos alertas traduzem as reações do Homem-Jesus tomado pela ira santa, aquela que reflete a Sua natureza humana, sem qualquer laivo, no entanto, de ressentimento ou ódio, de menosprezo ou desconsideração pelos indivíduos incursos nas Suas austeras palavras.

Ressaltam, isto sim, a grandeza da Sua masculinidade enérgica, que não se detinha diante dos comprometimentos pusilânimes e sofistas, irônicos e perversos, a fim de despertar-lhes as consciências adormecidas, cindindo a sombra neles predominante por intermédio da austeridade e do chamamento ao dever, ao conhecimento de si mesmos e a reflexões em torno dos seus limites, de forma que se transformassem em terapia saudável, auxiliando-os em futuros comportamentos.

Era também a maneira vigorosa para dissipar a sombra coletiva que pairava sobre todo o povo vitimado pela predominância do desconhecimento da sua realidade essencial.

Não poucas vezes Jesus foi convidado a enfrentar esses tecelões da injúria e da desdita alheia, caracterizados pela sordidez da hipocrisia sem disfarce, na qual ocultavam os seus sentimentos reais, sempre prontos para acusar, desferindo golpes impiedosos contra todos aqueles que lhes estivessem sob a injunção da observação perversa.

Hábeis na arte de dissimular as desditas interiores, especializavam-se em desvelar nos outros as torpezas morais que os infelicitavam e não tinham coragem de enfrentar.

É sempre esse o mecanismo oculto que tipifica o acusador contumaz, o justiçador dos outros, o vigia dos deslizes das demais pessoas.

Sentindo-se falidos interiormente por não poderem superar as atrações morbosas da personalidade enferma, revestem-se de puritanismo e de falsa sabedoria, facultando-se direitos que se atribuem, e tornando-se impiedosos perseguidores das criaturas sobre as quais projetam aquilo que detestam em si próprios.

Os fariseus celebrizaram-se por essa capacidade sórdida, buscando equipar-se de conhecimentos na Torá e nos demais livros sagrados, como se todas as obras de libertação humana igualmente não merecessem o direito de ser também sagradas, para melhor se imiscuírem na observação dos atos que diziam respeito ao próximo, formalistas e ríspidos, não obstante interiormente como um sepulcro, todo podridão conforme acentuou Jesus em ocasião própria.

Ainda permanece essa conduta soez em todos os segmentos da sociedade, particularmente nos grupamentos religiosos, nos quais aqueles que se sentem incapazes de crescer, por acomodação mental ou incapacidade moral, tornam-se agudos vigias dos irmãos que os ultrapassam e não merecem perdão, por estarem libertando-se da sombra que eles ainda nem sequer identificaram…

Detalhistas e hábeis na faculdade de confundir, esmeram-se na apresentação externa a que dão excessivo valor, porque se sentem inferiores e pecaminosos, julgando com aspereza e rancor todos quantos os superam em quaisquer valores éticos, morais, espirituais, culturais, de abnegação e beleza.

Jesus jamais os temeu por conhecer-lhes os abismos interiores, a insânia, a jactância.

Justa, portanto, a Sua ira, que se apresentava com um caráter de corajosa decisão para não permitir a ingerência de tão perniciosos fiscais que se atribuíam o direito e o dever de perturbar Lhe o Ministério que inaugurara.

Essa coragem, que não silenciava em nome da falsa humildade, a que esconde covardia ou omissão, provocava-lhes, como ainda hoje ocorre mais acendrado ódio, levando-os a acionarem armadilhas cada vez mais sutis ou afrontosas, concomitantemente arrebanhando sequazes que permaneciam a soldo da sua infâmia.

Não se repetem, ainda hoje, as mesmas condutas ardilosas e
infamantes?

O julgamento legal tem raízes nas conquistas da ética e do direito, do desenvolvimento cultural dos povos e dos homens, concedendo ao réu a oportunidade de defesa enquanto são tomadas providências hábeis para que sejam preservados os seus valores humanos, as suas conquistas de cidadão.

Essa a diferença entre a conduta da civilização em relação à barbárie, do homem vencedor da sombra em confronto com o mergulhado nela.

Examina-se a conduta infeliz de alguém que cometeu um delito, sem dúvida, mas não perdeu a qualidade de ser humano, requerendo dignidade e misericórdia, por mais hediondo haja sido o seu crime, a fim de não se lhe equipararem em rudeza e primitivismo os seus julgadores.

O julgamento, porém, que, insensato, arbitrário e contumaz, decorre da inferioridade do opositor, que apenas vê a própria imagem projetada e odeia-a, sedento de destruição para libertar-se do pesado fardo, ferindo a outrem, é covarde e cruel.

A análise do erro é sempre uma necessidade impostergável, quando não se faz realizada com perversas intenções de dominação do ego, totalmente divorciada da lei de amor e de caridade.

Analisar para auxiliar, para corrigir, para educar, é valiosa contribuição para a construção do ser moral, psicológico e espiritual.

Dessa forma, é inevitável que, toda vez quando se é defrontado pelas ocorrências do cotidiano, o próprio senso crítico e de discernimento proceda a julgamento, examine a atitude, a conduta alheia, não assumindo, porém, a postura de censor, de responsável pela sociedade que pensaria estar defendendo.

A sutileza se encontra na capacidade de não converter a apreciação e o exame de situação em condenação que exige castigo, mas solidariedade ou auto precaução para que não incida no mesmo equívoco.

Graças a esse comportamento, manifesta-se a maturidade do ser humano, que ora sabe entender o correto em relação ao errado, a ação dignificante em confronto com a reprochável, a comparação entre o saudável e o patológico.

Jesus, que sabia examinar sem julgar, muito menos punir, como consequência viveu sempre muito feliz.

A Sua Doutrina é todo um poema de alegria, de libertação dos conflitos, de autoiluminação e de engrandecimento a Deus manifesto em todas as coisas, desde as simples sementes e grãos pequeninos, às aves dos Céus, às redes de pescar, aos lírios do campo, ao azeite, à lâmpada, à Mãe–natureza e ao Excelso Pai, a Quem ninguém nunca viu…

Aquele Homem, especial pela própria grandeza e autoridade de que se fazia revestido, as quais Lhe foram concedidas pelo Pai,em todo momento exteriorizava bom humor e alegria,sem vulgaridade; severidade quando necessário, nunca, porém,hostilidade; fazia-se generoso incessantemente, jamais covarde; amigo incomum de todos, não conivente com as suas defecções.

Sabia como desmascarar a hipocrisia e não trepidava em repreender os portadores da dissimulação mesquinha; possuidor, no entanto, do sentimento socorrista para com todos, tornava-se Psicoterapeuta incomparável.

O farisaísmo permanece nos relacionamentos humanos, com as suas várias máscaras, ferindo ou tentando dificultar a marcha dos homens idealistas, daqueles que estão construindo a nova sociedade para o mundo melhor do futuro.

A sombra em projeção torna-se julgamento que a sã conduta e a harmonia psicológica diluem na perfeita identificação dos valores do Self triunfando sobre os caprichos do ego.

Diante dos julgamentos direcionados pelos sentimentos servis e dos julgadores sistemáticos, considere-se, pois, com cuidado a severa advertência do Homem de Nazaré:
— Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.

Título: Julgamentos

Autor: Joanna de Ângelis pela psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda




Nascimento de Meimei


Irmã de Castro Rocha, conhecida como Meimei nasceu em Mateus Leme (MG) no dia 22 de outubro de 1922 e desencarnou em 1º de outubro de 1946. Reconhecida por sua brandura, inteligência e amor às crianças, Meimei é homenageada por muitas instituições espíritas que adotam o seu nome. Ditou vários livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, entre eles: Pai Nosso e Cartilha do Bem e atua, da Espiritualidade, no acompanhamento de ações de amparo e orientação às crianças.

 

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Benfeitores desencarnados


Então novamente Jesus lhes falou, dizendo: Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não anda em treva, mas terá a luz da vida.

João 8:12

Perceberás, sem dificuldade, a presença deles.

Onde as vozes habituadas a escarnecer se mostram a ponto de condenar, eles falam a palavra da compaixão e do entendimento.

Onde as cruzes se destacam, massacrando ombros doridos, eles surgem, de inesperado, por cireneus silenciosos, amparando os que caíram em desagrado e abandono.

Onde os problemas repontam, graves, prenunciando falência, eles semeiam a fé, cunhando valores novos de trabalho e esperança.

Onde as chagas se aprofundam, dilacerando corpo e alma, eles se convertem no remédio que sustenta a força e restaura a vida.

Onde o enxurro da ignorância cria a erosão do sofrimento, no solo do espírito, eles plantam a semente renovadora da elevação, regenerando o destino.

Onde os homens desistem de auxiliar, eles encontram vias diferentes de ação para a vitória do Amor Infinito.

Anseias pela convivência dos benfeitores desencarnados, com residência nos Planos Superiores, e tê-los-ás contigo, se quiseres.

Guarda, porém, a convicção de que todos eles são agentes do bem para todos e com todos, buscando agir através de todos em favor de todos.

Disse Jesus:

-“Quem me segue não anda em trevas.”

Se acompanhas os Bons Espíritos que, em tudo e por tudo, se revelam companheiros fiéis do Cristo, deixarás para sempre as sombras da retaguarda e avançarás para Deus, sob a glória da luz.

Título: Benfeitores desencarnados

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo João




Acorda e ajuda


[…] Segue-me, e deixa que os mortos enterrem seus próprios mortos.

Mateus 8:22

Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse “ aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres”, e sim conferisse “aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos”.

Há, em verdade, grande diferença.

O cadáver é carne sem vida, enquanto que um morto é alguém que se ausenta da vida.

Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer.

Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum.

Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão.

Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões; se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades de sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos, residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.

Aprende a participar da luta coletiva.

Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas.

Não te galvanizes na esfera do próprio “eu”.

Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão somente para si.

Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências.

Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós.

Recordemos, desse modo, o ensinamento do Cristo.

Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, tratando-se da jornada espiritual, deixa sempre “aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos”.

Título: Acorda e ajuda

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho segundo Mateus




Encontro com a Paz e a Saúde


Analisando-se o atual comportamento humano, não padece dúvida de que a sociedade terrestre encontra-se enferma.

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Os altos índices da violência individual e coletiva que assola o mundo, apresentam-se assustadores, numa triste demonstração da predominância dos atavismos ancestrais, que não foram superados pelo advento da razão, do discernimento, dos sentimentos de amor.

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A agressividade ronda as existências, ameaçando-as de extermínio sob todos os aspectos considerados: sejam a Natureza em si mesma, os vegetais, os animais e os demais seres humanos…

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A perversidade e a hediondez dão-se as mãos, ampliando as forças em favor da desordem e do primitivismo.

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Sucessivas ondas de criminalidade avolumam-se e espraiam-se incessantes, a quase tudo e todos arrastando para o abismo do desespero.

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O desrespeito às leis e a indiferença pelo destino da humanidade aumentam o pânico nas pessoas mais frágeis e a depressão, resultante também de muitos outros fatores, torna-se de natureza pandêmica.

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As massas parecem anestesiadas pelo sofrimento, havendo perdido o rumo e a confiança em melhor futuro, deixando-se arrastar por líderes inescrupulosos que as hipnotizam, na política, na economia, na religião, nos divertimentos vulgares e promíscuos, mediante os quais lhes amolentam os últimos bastiões de dignidade e de respeito pela vida.

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A paz, atemorizada, não consegue atrair para os seus programas, todos quantos anelam pela sua presença no coração, mas não sabem como consegui-la.

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Há desvios de toda ordem, levando a lugar nenhum, nesses caminhos tortuosos da busca da saúde e da auto-realização.

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Governos e associações dedicados ao Bem não encontram ressonância nas consciências nacionais e internacionais para a erradicação da pobreza, das doenças e de outros males que se propagam velozmente.

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Tentativas de salvamento do planeta são rejeitadas com descaso por nações poderosas, e enquanto proclamam os direitos humanos que desrespeitam, afastam-se das conferências que tentam manter a igualdade das raças, em total desprezo pela liberdade que proclamam e fingem defender mediante o uso de armas destrutivas…

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Ameaças de guerras hediondas pairam no ar, como se a sociedade não se encontrasse em conflitos declarados e não-declarados, exaurindo os cofres do poder econômico, que poderiam ser abertos para a solidariedade, através da educação, do trabalho remunerado, da saúde, da extinção de enfermidades cruéis que se instalaram e permanecem no mundo…

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A arrogância de uns poderosos e a submissão humilhante de outros deles dependentes, demonstram a predominância da força bruta sobre a inteligência e os valores morais, proclamando a vitória da insensatez sobre o equilíbrio…

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Inegavelmente, os horizontes do futuro apresentam-se, do ponto de vista imediato, sombreados pelo desespero e pela anarquia, porquanto é visível e assustadora a presença do crime de todo jaez ante os braços cruzados da cultura submetida ao talante dos dominadores de um dia…

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Apesar dessa paisagem triste, que se vem alastrando pelos diversos quadrantes do orbe terrestre, uma tênue luz de esperança começa a diluir-lhe as sombras dominantes, no rumo de um meio-dia claro de Sol e de bênçãos.

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Essas infelizes ocorrências são os frutos espúrios dos tormentos individuais, daqueles que dominam as pessoas, assinalando-as com as aflições.

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Como a sociedade influi no comportamento individual, este, por sua vez, é o aglutinador do grupo social, interdependendo-se mutuamente, em incessante fluxo de energias.

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Embora as soluções devam ser propostas pelos grupamentos, será no indivíduo que se devem trabalhar as bases do ajustamento, as diretrizes do reequilíbrio, os valores éticos em benefício da sua saúde física, emocional,psíquica e moral, ante o compromisso inadiável da aquisição da paz.

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Todo o empenho possível deve ser direcionado ao cidadão deste momento, que se encontra aturdido, assim como às gerações novas que deverão ser atendidas com carinho e programas educacionais sérios, de modo a recuperar-se a saúde geral e salvar o planeta que padece a alucinação dos seus habitantes.

*
Indispensável, pois, se torna, a formação de uma cultura de amor, porquanto é necessário aprender-se a amar, superando-se os conflitos internos e modificando os sentimentos que se armam contra, quando deveriam desarmar-se para somente amar, facultando a instalação de um clima existencial de respeito pela vida em todas as suas expressões.

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Aprofundar-se a sonda investigadora das causas das aflições humanas no cerne do ser, constitui dever de todos, de modo a encontrar-se as causas profundas e predominantes, geratrizes da conjuntura perturbadora, erradicando-as e substituindo-as por outras de caráter dignificante.

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O indivíduo, na sua condição de célula básica do grupo social, necessita de orientação e acompanhamento, de oportunidade para o exercício da sua cidadania, de recursos que lhe promovam o bem-estar e a dignidade.

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As doutrinas materialistas infelizmente vêm contribuindo cada vez mais em favor do desconserto moral da criatura humana, oferecendo-lhe uma visão pessimista do mundo e da existência, desse modo contribuindo em favor do utilitarismo e do imediatismo, da preocupação exclusiva consigo mesma, em detrimento das demais, como se alguém pudesse viver feliz com o egoísmo e a indiferença em torno da sua realidade de ser imortal.

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O ser integral está além do corpo físico, devendo ser considerado como o princípio inteligente que é, o envoltório semimaterial que o reveste, e a forma física em que se movimenta enquanto no processo da evolução terrestre.

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Responsável pelos atos que pratica, semeia e colhe conforme o nível de evolução em que se encontra, avançando, incessantemente, no rumo da sua destinação gloriosa, que é a perfeição relativa que o aguarda.

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Nesse sentido, o Espiritismo oferece-lhe um valioso arsenal de experiências e de conhecimentos que o capacitam para os enfrentamentos internos e as refregas externas, preparando-o para a valorização da vida, o autoconhecimento, a fim de penetrar na área onde dormem as seguras diretrizes para a felicidade, que devem ser despertadas.

*
Portador da mais excelente psicoterapia para o equilíbrio e a ventura, centra os seus valiosos recursos no exercício do amor, ampliando-o em chamas de iluminação libertadora da ignorância, que culmina em a vivência da caridade. […]

Salvador, 24 de dezembro de 2006.

Título: Encontro com a Paz e a Saúde

Autor: Divaldo Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis. 

Livro: Encontro com a Paz e a Saúde.