Os momentos difíceis e o porvir da Humanidade

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Este trabalho foi apresentado pela Rádio Boa Nova de São Paulo. Posteriormente foi organizado pela equipe do Boletim “O Orientador Espírita” e publicado em duas partes nas edições de número  6 e 7 no ano de  2003.

Esse é o resultado de uma profunda reflexão que veio a culminar com um diálogo de Divaldo Franco com os benfeitores espirituais, que aconteceu no fim do milênio passado, quando se demoravam nos horizontes da criatura humana as expectativas em torno do terceiro milênio. Diante da violência atual, que se apresenta muito maior do que antes, das quais a fome, a miséria, os dramas sociais, as guerras, os descaminhos entre os familiares, as instituições valiosas em aparente decadência, qual o matrimônio, a família e a Religião, considerando todos esses fatores, interrogo aos nobres Espíritos:

—Qual será a panorâmica que, por certo, desenhará o próximo milênio e que deveremos aguardar com uma suave expectativa de alegria? Após um momento de silêncio eu voltei a inquirir: —Como poderemos esperar mudanças ante situação tão calamitosa? Quantos séculos serão necessários para que essa mudança venha a ocorrer? Generosa e pacientemente os Benfeitores me responderam:

“—Vivemos hoje o momento mais difícil do processo histórico de evolução da humanidade, porque estão reencarnando, na Terra, como ocorreu, de certo modo, em outras épocas, os Espíritos que se encontravam retidos nas suas faixas mais densas assim como aqueles outros que se detinham nas regiões expiatórias, que se haviam comprometido negativamente quando no exercício dos deveres religiosos e vêm arrostando as conseqüências deste comportamento desde há vários séculos.

Outros tantos que se celebrizaram pelas guerras cruentas e perseguições impiedosas a que se entregaram, igualmente estão de retorno. Ficaram expungindo seus delitos em regiões dolorosas a fim de que a sociedade avançasse tecnológica e cientificamente, porquanto, na medida em que tudo isso ocorreu, também o desenvolvimento genético aprimorou muito os corpos graças às conquistas nas áreas da saúde, da higiene, do conhecimento dos valores éticos e comportamentais.
Assim, defrontamos, na atualidade, com os corpos ricos de harmonia na forma, conduzidos por espíritos primários, que mantêm condutas esdrúxulas e perturbadoras, características do seu estágio de evolução.
Neste momento, portanto, as regiões punitivas da erraticidade inferior estão liberando seus habitantes espirituais a fim de que tenham a sua chance de recomeço de recuperação. Utilizam-se de corpos belos, embora sendo espíritos dominados mais por impulsos do que dirigidos pela razão. Grande número deles é constituído por aqueles que formaram, no passado, as hordas bárbaras, particularmente os hunos, os godos, os visigodos e os normandos que disseminaram crime e destruição pela Europa e por toda parte por onde passaram.
Estão agora de volta, porque a Lei de Deus é de amor, para que disponham da oportunidade de se regenerarem e para que, simultaneamente, aqueles que são fiéis ao Bem possam demonstrá-lo, provando seus valores. Não fosse assim, como confirmar a excelência da Luz se tudo estivesse claro!
Trata-se, portanto, de um período de trevas. Ademais, as nossas virtudes deverão resistir aos apelos dos vícios, sem o quê não seriam autênticas. Teremos que semear entre cascalhos, calhaus, preparando a terra porque a Divindade, concedendo-lhes a bênção da renovação, como ocorre com todos nós. Aqueles que não a aproveitarem serão recambiados para outros ninhos de vida, qual aconteceu anteriormente, quando vieram para o planeta terrestre os exilados de outros sistemas e aqui encontraram o homem primitivo, reencarnando-se neste corpo brutal para nele desenvolver os tesouros do deus interno, conforme sucedeu.

São aqueles espíritos, portanto, que modelaram o corpo humano atual, que desenvolveram o cérebro, porque eram inteligentes, embora não necessariamente moralizados, delinearam o organismo cerebral que ainda se encontra acima das possibilidades atuais de controle e de correspondente uso mental preparando para futuras faculdades que ainda não detemos.

Só agora é que chegamos ao sexto sentido, que é a paranormalidade, tendo ainda muito pela frente para desenvolver, tais como a intuição, a angelitude, a arcangelitude, que são faixas mais avançadas do psiquismo espiritual.
Quando estes espíritos primários, que ora estão na Terra, forem exilados para um planeta inferior, por sua vez, irão contribuir da mesma forma em favor daqueles que o habitam e se encontram, no momento, em faixas primaríssimas da evolução.” Os benfeitores fizeram uma pausa a fim de que eu pudesse melhor reflexionar e logo adiram:

“—Desde sempre e especialmente a partir dos anos 50 deste século, o século XX, a Divindade está também encaminhando à reencarnação milhares de espíritos nobres para auxiliarem a rápida transição do planeta terrestre, que deixará de ser um mundo de provas e de expiações para tornar-se mundo de regeneração.
Este milênio encerrar-se-á, pois, como sendo aquele em que houve um grande avanço da ciência e da tecnologia, mas o primeiro século do vindouro, que logo mais se iniciará, será o da arte, da beleza e da Religião. Já estão reencarnando-se também os grandes missionários, principalmente aqueles que viveram no período do Renascentismo. Não apenas os da Escola Italiana, mas também outros, na cultura e na arte, tanto quanto em outros países, porque tais reencarnações são feitas sob programa muito bem delineado.
Periodicamente espíritos evoluídos, alguns não terrícolas, encarnam-se para promoverem o progresso da Terra. No século V, de Péricles1, por exemplo, na Grécia, tivemos Tucídides2 , Próclo3, Sófocles4, entre os trágicos e outros tantos novos pensadores que alargaram os horizontes culturais da humanidade. Anos mais tarde conhecemos a elite ímpar representada por Sócrates5, Platão6 e Aristóteles7, espiritualistas contribuindo Leucipo8, Lucrécio9, Demócrito10, os notáveis decodificadores da matéria, que trouxeram as bases do atomismo grego.

Posteriormente, a sociedade foi tomada por uma nova onda de espíritos sábios e em Roma corporificaram-se como Tito Lívio11, Salústio12, Mecenas13, Virgílio14, os grandes inspirados que prepararam culturalmente a Terra para a vinda de Jesus. A partir do século II da nossa era, reencarnaram-se também aqueles que seriam os pais da Igreja cristã primitiva: Orígenes15, Tertuliano16, Jâmblico17, Eusébio18, Agostinho19, que deixaram pegadas luminosas, até hoje apontando rumos para a plenitude.

Depois, como seria inevitável, a humanidade começou a entrar em decadência. Uma que outra vez, porém, na Grande Noite, reencarnaram-se um que outro espírito superior, a fim de diminuir a treva reinante. Foi o período em que a humanidade conheceu a Inspirada de Binguem20, Francisco de Assis21, Antônio de Pádua, Tereza D’Ávila22, São João da Cruz23, Pedro de Alcântara, entre outros, que através da mística e do mergulho no imo de si mesmos, ampliaram os horizontes espirituais da Terra para que o homem percebesse a peregrina luz da verdade.” Houve um grande silêncio no qual os benfeitores me ensejaram melhor compreensão, logo prosseguindo:

“—Após a Reforma vieram a Contra-Reforma e o Renascimento Italiano, promovidos por muitos daqueles mesmos missionários que já haviam estado no planeta. A partir da Escola de Sagres, no fim do século XV, começou a definitiva mudança. Espíritos de alta estirpe reencarnaram-se na Ibéria, abrindo as portas do mundo para as navegações audaciosas, desta forma ampliando as dimensões da Terra enquanto que, na Itália, principalmente, Nicolau Copérnico24 libertou a cultura do sistema geocêntrico, Galileu Galilei25 demonstrou o movimento do planeta, ensejando a Isaac Newton26, na Inglaterra, e a Tycho Brahe27, na República Tcheca e a outros a decifração de algumas das incógnitas do Universo.

A humanidade intenta, em definitivo, no período de franca libertação da ignorância, investindo contra os dogmas fundamentanos quando surgiram Descartes28, que aprofundou o conceito do Dualismo. Haubes, Gassendi29 e Locke30 que ressuscitaram o pensamento atomista e muitos outros.

No século XVIII, toda uma legião de filósofos desaguou na Revolução Francesa, através do pensamento de Jean-Jacques Rousseau31, Voltaire32, Robespierre33, Danton34, que terminaram por inscrever nas páginas serenas da justiça, o código dos direitos humanos, até hoje ainda desrespeitados.

O século XIX, glorioso em todas as áreas da ciência e do pensamento, de Pasteur35 aos mais notáveis infectologistas, de Paul Pierre Brocard ao admirável Jean Martin Charcot36, das experiências embrionárias do psiquismo a Sigmund Freud37 e aos grandes pais da psicologia em diferentes escolas abrindo espaço para que entre esses elevados mentores, Allan Kardec38, o missionário da fé raciocinada, pudesse vir restaurar o cristianismo, libertando-o das interpretações perturbadoras.

Finalmente surgem Lazar Ludwig Zamenhof39, o criador do Esperanto. Nasce nessa mesma plêiade o pai da homeopatia e outros que tornaram a vida na Terra portadora de melhor qualidade e o ser humano mais dignificado.

Sob o apoio de uma incomparável plêiade de apóstolos do conhecimento, do pensamento, da ciência e do bem, o século XX tem pertencido à tecnologia, à cibernética, à tecnologia de ponta, à computação, à engenharia genética. A humanidade, porém, está cansada de tantos descobrimentos e conquistas.

Agora tem necessidade de beleza, de arte, de religião, de amor, de novas formulações que os apóstolos espirituais vêm trazer. Novamente silenciaram, facultando-me penetrar em profundidade no sentimento e no ensinamento libertador.

Momentos depois prosseguiram: —Tudo demonstra que, em poucas gerações, porquanto aqueles que desencarnaram na perversidade, já são do mal, não mais se reencarnarão no orbe terrestre, caso fracassem, porque serão substituídos pelos bons e esses promoverão o progresso da Terra, a transformação moral do planeta estará realizada sem que transcorram muitos séculos, já que o progresso se multiplica por si mesmo, desaparecerão então a violência, as grandes epidemias, porque a criatura humana já não necessita de sofrimentos físicos mais grosseiros, face ao progresso espiritual que lhe concederá méritos para superar as enfermidades degenerativas, aquelas que desgastam o corpo de forma cruel, os transtornos psicológicos, os desvios de conduta, abrindo espaço para outras expressões evolutivas.
Nossas dores passarão a ser aquelas de natureza moral, as emocionais, como a solidão, as frustrações, a ansiedade pertencente aos conflitos psicológicos caso não resolvamos a nossa realidade interna e as necessidades que dizem respeito ao ser profundo que somos. Nessa nova era que está próxima, já não nos reencarnaremos com esses dramas que afligem a atualidade porque traremos no íntimo, perfeitamente lúcida e detectada, a presença Divina que por enquanto mantemos adormecida. A sós ou acompanhados, estaremos plenos de paz e ricos de espiritualidade…

Silenciaram os queridos benfeitores, deixando-me oportunidade ímpar de reflexão, para que através dessas palavras bem delineadas, com as quais encerrava o milênio, pudesse preparar-me para os dias porvindouros quando o crime, a fome e a miséria estarão em museus e a posteridade, examinando a agressividade humana de que hoje somos os instrumentos, possam interrogar como nos foi possível passar por períodos tão calamitosos.

Guardem a página…

Logo depois das alvísseras do ano 2000, a sociedade começou sonhar com uma transformação da noite para o dia. Os mais afoitos esperavam que no dia primeiro de janeiro do ano dois mil, os seres humanos estivéssemos confraternizando-nos, beijando-nos, desculpando-nos, como se o processo da evolução fosse o resultado de impactos emocionais.
Entre os dias 28 a 31 de agosto, a Organização Mundial das Nações Unidas40 abriu as suas portas para que religiosos de toda a Terra, desde os índios da Cordilheira dos Andes até os representantes das doutrinas mais remotas da Índia, pudéssemos estar reunidos para discutir a respeito da nossa agressividade, da nossa violência, do nosso egoísmo.

Propunha-se, naquele momento, uma bandeira de paz, através de um trabalho que erradicasse da Terra o egoísmo, em primeira plana, logo depois as conseqüências dele: as injustiças sociais, a avareza, a presunção e a prepotência, a agressividade e a violência, respeitando-se os direitos humanos.

Dever-se-iam apresentar os líderes das religiões majoritárias, trabalhar em favor dos direitos da mulher, na liberdade real da mulher, não da libertinagem sexual da mulher, da vulgaridade e da promiscuidade, na competição lamentável com desvios de conduta do homem e com as vilanias que o homem praticara até então. A proteção à criança, o socorro à senectude, a ajuda aos doentes, o grande investimento no ser humano que é cada um de nós.

As reuniões tiveram debates comovedores. Representantes do Papa; do Dalai Lama; do Induísmo; das várias secções das doutrinas muçulmanas nas suas ramificações; do Catolicismo Romano; da Igreja Ortodoxa Russa; da Copta41; das ramificações Protestantes dos Estados Unidos em quase duas mil denominações; de índios navajos; índios de diferentes partes da América do Norte, mas também da Bolívia, do Peru, ali apresentando a sua cultura e a sua necessidade de paz, mas também a presença da Doutrina Espírita colocando a sua contribuição baseada nos fundamentos com que Allan Kardec dignificou a sociedade.

Programou-se que seria formulado um documento, posteriormente encaminhado a todos os chefes das nações da Terra, para que eles compreendessem a necessidade de fomentar a paz, de trabalhar a paz, de respeitarem-se uns aos outros, de os religiosos, em geral, quando alguém tresvairado propusesse a aversão a um país, eles desarmarem-se, lembrando-se de que no país possivelmente agredido existem irmãos da sua crença…

Se os católicos se desarmarem quando uma nação se levante contra a outra, naturalmente, também desarmados, convergirão os líderes e dominadores a uma revisão de pensamentos, mas também os hinduístas, budistas, teosofistas, os espiritistas, todos aqueles que tenham qualquer vinculação religiosa, lembrando-se de que, do outro lado, a próxima vítima é seu irmão que compartilha dos seus ideais de fé e que chegou a sonhar que até o ano de 2020 a guerra desapareceria das organizações do mundo, substituída pelo parlamentarismo, pelas organizações que dialogassem as dificuldades, estabelecendo regras de equilíbrio.

Logo depois a Terra foi sacudida pelo ato de terrorismo de 11 de setembro de 200142.  A covardia incomum do fanatismo religioso, a perversidade da criatura humana, desejando-se vingança contra vítimas inermes para desferir, no cerne da alma os seus dardos inimigos, mudou a historiografia do Planeta, porque naturalmente a sede de desforra tomou conta do mundo ocidental e vieram outros atos de terrorismo, aqui e ali, enquanto a violência urbana irrompia devastadora e cruel, semeando o medo, a desordem, para não dizer o pavor.

O ser humano parece que se transformou num lobo, inimigo do seu próprio irmão e hoje, enquanto o clangor da guerra leva os instrumentos de morticínio em massa, as armas inteligentes e destruidoras, olhamos um tanto hebetados para os céus plúmbeos pela fumaça que simboliza a morte, a grande noite, interrogando-nos: “e agora”?…

É verdade, caro amigo radiouvinte, que vivemos o momento clímax do horror, novas ameaças aí estão desenhadas nos céus belicosos da humanidade. Outros países possivelmente também experimentarão a loucura sanguissedenta de homens e mulheres tresvairados… Mas não nos cabe desanimar, temer ou fugir da nossa realidade!

Em comovedora página mediúnica, Dr. Bezerra de Menezes disse-nos, de um encontro entre médicos espíritas, na Reitoria da Universidade de Belo Horizonte: “já que não podemos obrigar os países do mundo a estabelecerem a paz reciprocamente, poderemos trabalhar pela paz entre nós e conosco, tornando-nos pessoas de paz, vivenciando esta paz como pacíficos e pacificadores, mimetizando aqueles que estejam próximos a fim de que também eles contagiem outras vidas, até que, através da ressonância da virose do bem, a Terra se modifique. Não nos cabe desanimar, nem aumentar o coro das vozes que gritam desesperadas e dos corpos de deambulam sem rumo ou se atiram no abismo da busca de coisa nenhuma”.
Se de um lado há tanta crueldade, como esquecer que a nova enfermidade epidêmica43 que hoje ameaça a estrutura do mundo vem recebendo, de milhares de infectologistas, o maior combate, com o risco das próprias vidas… Já se acredita que em menos de um mês foi detectado o vírus, logo mais será apresentada uma vacina e a vida pode retornar ao ritmo de equilíbrio e expectativa anterior.

Ocorre que a virose da guerra vitalizou também, no reino dos infinitamente pequenos, através dos nossos miasmas de ódio e de revolta, o surgimento de vibriões mentais que, por certo, se condensaram em determinados organismos microscópicos, mudando-lhes a estrutura que, no organismo humano, se transformou na terrível epidemia pneumônica de conseqüências nefastas.

À medida que mudarmos nossa estrutura mental e comportamental geraremos partículas semelhantes ao fóton, com poder aglutinador de moléculas, e essas partículas psíquicas, saídas de nossa mente, serão absorvidas pelo nosso sistema nervoso central, que há de irradiar ao sistema endocrínico que, por sua vez, se exteriorizará através dos hormônios carregados pela corrente sangüínea, fortalecendo o sistema imunológico, preservando-nos das enfermidades degenerativas.

A mente saudável irá compor o quadro de natureza terapêutica preventiva e ao mesmo tempo curadora das velhas mazelas. Tudo isso porque milhões de homens e mulheres, no silêncio dos laboratórios, trabalham em favor de nossa saúde. Milhões de outros tantos mergulham o pensamento nas propostas sociológicas para que seja modificada a paisagem da miséria sócio-econômica, particularmente da zona que ameaça de extinção, nos próximos dez anos, 800 milhões de vidas, não se contabilizando as seqüelas que estarão naqueles que, por acaso, venham a sobreviver.

Quantos outros milhões que estão nas organizações em favor do “verde”, na “ecologia”, evocando a figura cândida e frágil, poderosa e forte, de São Francisco de Assis. Outros tantos estão trabalhando pela economia da água, para que ela não venha a faltar no Planeta Azul, enquanto núcleos de oração, grupos de prece multiplicam-se em toda a parte, na Terra, para poder criar obstáculos ao avanço mental do mal e dos seus sequazes.

Em realidade, vivemos o momento também auspicioso, quando organizações como a Mundial de Saúde, as de Saúde Mental, a própria ONU, que se apresentou desmoralizada pelo arbítrio do “dominador do mundo”,44 que a dispensou, mas que não poderá ignorá-la numa pós-guerra calamitosa, porque a autoridade militar não consegue impor a paz nem fazer uma distribuição equânime de alimentos ou uma justiça, no meio daqueles que são os vencidos, os expoliados. Mas somente uma organização mundial que trabalha pelos direitos humanos e pela solidariedade, sem paixão nacional, sem uma bandeira para preservar-lhe todos os produtos através da economia internacional escorchante e dos juros escravocratas.

Então a ONU, que está sobrevivendo entre os escombros de si mesma, mais o Rotary Clube, a Maçonaria, os Lyons Clubes e, ao lado deles, a Organização dos Direitos da Mulher, dos Direitos da Criança, das Minorias Raciais, das Religiões… Todas essas organizações que se multiplicam, fecundas, estão demonstrando que o ocaso abre espaço para a meia-noite, e a meia-noite cede lugar aos primeiros raios da alvorada que anuncia um novo dia.

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Não se permita, portanto, abater, caro amigo radiouvinte! Conta-se que um jovem transitava de uma para outra cidade, procurando o lugar ideal onde pudesse viver e, chegando a uma aldeia que lhe pareceu bastante simpática, encontrou à entrada, junto a um poço, um homem venerando que meditava. O rapaz, ansioso, perguntou-lhe:

- Como é o povo daqui? – E o venerando respondeu-lhe, interrogando:
- Como é o povo do lugar de onde você vem? – Ao que ele elucidou:
- Lá, as pessoas eram perversas, invejosas, competidoras, cruéis, maledicentes…, eu estou a procura de um lugar onde haja exatamente gente oposta. Aqui, como é?
O homem sábio, depois de meditar, explicou:
- Aqui as pessoas são também exatamente como aquelas do lugar de onde você veio…
O jovem redargüiu:
- Então não quero ficar aqui… – E se foi…
Ao cair da tarde daquele mesmo dia, chegou um homem maduro ao poço, estava viajando e, vendo o homem sábio, respeitável e gentil, perguntou-lhe, civilizado:
- Senhor, como é o povo desta aldeia? Estou procurando um lugar para fixar residência e naturalmente seleciono aqueles que serão meus vizinhos.
O mestre sorriu para ele e depois de uma breve reflexão, contra-interrogou:
- No lugar de onde você vem, como são as pessoas?
- Há, meu amigo, são generosas, são nobres, são pessoas distintas e colaboradoras, algumas são menos nobres, mas a nossa tolerância ajuda-nos a conviver com elas. Como são as pessoas daqui?
E o sábio disse:
- Exatamente assim, generosas, nobres, gentis, algumas são diferentes, mas podemos levá-las adiante pela nossa tolerância.
O viandante agradeceu e adentrou-se na aldeia…
Um homem que também estivera ali durante todo o dia, observando as respostas diferentes que o sábio dera para a mesma pergunta, interrogou, por sua vez:

- Pela manhã o senhor disse que as pessoas daqui eram más, eram perversas, eram cruéis, invejosas e maledicentes. Agora o senhor diz exatamente o oposto! Como são, afinal, as pessoas daqui?
E ele respondeu:
- As pessoas são a imagem que delas nós fazemos. Para quem vê somente defeitos nos outros, para os que apenas têm a percuciente capacidade de ver o lado negativo, onde quer que vá, as pessoas sempre são assim. Mas aqueles que sabem ver o belo, o nobre onde quer que estejam, mesmo que não sejam pessoas ideais, saberão descobrir o seu lado positivo e quando perceberem outras que não se adequam à situação, é claro que a tolerância e a compaixão tomarão lugar.

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É isto, caro amigo radiouvinte, se nós olharmos para o outro com sentimento de amor, mesmo que ele não seja, tornar-se-á amorável, gentil e bom, ensejando-nos um relacionamento equilibrado e saudável. Este século será da Religião, a Religião do Amor, da Arte, da Beleza, da Poesia, naturalmente também da Ciência e da Tecnologia. Mas será o século em que nós aplicaremos, no dia-a-dia, na convivência, o resultado das conquistas da inteligência, ao lado das excelentes conquistas do coração.

Faça a sua parte. Plante uma árvore num lugar deserto, irrigue-a, proteja-a das pragas e das intempéries… Distenda a mão gentil a um menino de rua, a um “pivete”, não o olhe com ferocidade… Sorria, dê um bom-dia jovialmente, confie mais em Deus e modifique as lentes dos óculos da sua visão, procurando enxergar no seu próximo o que haja de melhor em você.

Todos nós temos sempre algo de bom e de nobre, de enriquecedor para doar. É necessário descobrir esse valor no solo do coração de nosso irmão. Quem não conhece pedras preciosas pisa-as pelo meio do caminho, quem acredita sejam apenas seixos, cascalhos, calhaus. Mas quem tem o olho áquilo sabe distinguir, dentre as pedras que rolam sobre as águas de um córrego, os diamantes e os minérios de ferro, as pedras preciosas, selecionando aquelas que são mais valiosas para, um dia, fazer uma coroa para o rei e ofertá-la sob o beijo cálido do sol…

Desta forma, neste entardecer de sombras, anunciando a grande noite em que mergulhará a cultura, como mergulhou o imenso museu de Bagdá, destruído pela fúria dos próprios iraquianos devastados pela ignorância. Cinco mil anos de cultura…, da velha cultura da Assíria, da Babilônia, de países anteriores, destruindo caracteres de comunicação escrita, as tablitas, os tijolos, os pergaminhos, por causa da fúria e da ignorância anunciando o crepúsculo da Cultura e a morte histórica de todo um povo…, não resta dúvida de que nos Arquivos da Imortalidade permanecem estes registros para que, um dia, fixemos como foi o nosso processo de evolução e nos envergonhemos destes dias chamados de ética, de cultura e de civilização, de barbarismos pela loucura da guerra…

Então, seja você quem ama, seja você quem opta por dizer não ao mal, seja o dique barrando a imensa onda da destruição e da perversidade, profundamente vinculado a Deus e a Jesus, consciente de que a sua existência na Terra tem uma finalidade: amar!

Rogando ao Mestre incomparável que nos abençoe, deixamos nossos votos de muita paz para você e para todos nós.



Notas de rodapé

1- Péricles (c.495-429 a.C.). Militar e político grego. Seu governo representou o apogeu político e cultural de Atenas.

2- Tucídides (c.465-c.404 a.C.). Historiador grego. Sua história da guerra do Peloponeso é um verdadeiro manual de sabedoria política.

3- Proclo (c.410-485). Filósofo grego. Reelaborou o neoplatonismo da escola de Atenas.

4- Sófocles (495-406 a.C.). Dramaturgo grego. Um dos três grandes poetas dramáticos da Grécia antiga. Sua obra Édipo rei consagrou-o como o maior trágico da antiguidade grega.

5- Sócrates (c.470-c.399 a.C.). Filósofo grego. O primeiro a estabelecer, na antiguidade clássica, os fundamentos filosóficos da cultura ocidental.

6- Platão (c.428-c.348 a.C.). Filósofo grego. Um dos pensadores mais influentes de todos os tempos, estabeleceu com Sócrates e Aristóteles as bases da filosofia ocidental.

7- Aristóteles (384-322 a.C.). Filósofo grego. Principal discípulo de Platão, escreveu obras sobre lógica, fenômenos naturais, metafísica, ética, vida animal, política, retórica e poética.

8- Leucipo (séc. V a.C.). Filósofo grego. Pré-socrático, fundador do atomismo, doutrina filosófica que procura explicar a composição da matéria como homogênea, mas formada de uma infinidade de partículas indivisíveis. Atribui-se a ele a autoria de O grande sistema do mundo.

9- Lucrécio (c.96-c.50 a.C.). Titus Lucretius Carus, poeta latino. Famoso por sua obra sobre a natureza das coisas, em que expõe as doutrinas do filósofo grego Epicuro.

10- Demócrito (c.460-c.370 a.C.). Filósofo grego. Pré-socrático, formulador da teoria atomista, segundo a qual a matéria se constitui de partículas minúsculas chamadas átomos.

11- Lívio, Tito (c. 59 a.C.-17 d.C.). Historiador romano. Autor de obra em que relata os sucessos da história de Roma, desde a fundação da cidade até os primeiros séculos da república.

12- Crispo, Caio Salústio (c.86-c.35 a.C.). Historiador romano. Narrou as lutas políticas do último período republicano de Roma, de que participou.

13- Mecenas, Caio (c.70-8 a.C.). Diplomata romano. Conhecido por patrocinar artistas e escritores de seu tempo. Seu nome passou a designar os grandes protetores das artes, ciências e letras.

14- Marão, Públio Virgílio (70-19 a.C.). Poeta latino. Mais importante poeta de língua latina, autor de versos de nobre melancolia e incomparável beleza.

15- Orígenes (c.185-c.254). Religioso grego nascido no Egito. Destacado exegeta bíblico da igreja grega primitiva, acusado de heresia por aplicar métodos filosóficos e filológicos a problemas de teologia.

16- Tertuliano (c.155-c.220). Escritor latino. Seus escritos constituem importantes documentos para a compreensão dos primeiros séculos do cristianismo.

17- Jâmblico (c.250-c.328). Filósofo grego. Pertencente à escola síria do neoplatonismo, ao qual atribuiu um cunho místico. Autor de dez livros sobre as doutrinas pitagóricas.

18- Cesaréia, Eusébio de (c.265-c.340). Religioso palestino. Exegeta e polemista, buscou conciliar a heresia arianista e a teologia oficial da igreja cristã.

19- Agostinho (354-430). Religioso e teólogo cristão. Doutor da Igreja, sistematizou a doutrina cristã com enfoque neoplatônico.

20- Bingen, Hildegarda de (c.1100-1179). Religiosa alemã. Mística, freira desde os oito anos, fundou em 1150 o mosteiro de Rupertsberger, próximo a Bingen. Suas visões e profecias bastante discutidas lhe garantiram fama de santa.

21- Assis, Francisco de (c.1181-1226). Giovanni di Pietro di Bernardone, religioso italiano. Fundador da Ordem dos Frades Menores, ou franciscana.

22- Ávila, Teresa de (1515-1582). Religiosa espanhola. Carmelita, uma das figuras mais fascinantes da história do cristianismo.

23- João da Cruz (1542-1591). Juan de Yepes y Álvarez, religioso e poeta espanhol. Maior expressão da poesia mística espanhola, fundador da ordem dos carmelitas descalços.

24- Copérnico, Nicolau (1473-1543). Astrônomo polonês. Revolucionou a ciência e a filosofia da época ao afirmar que a Terra não era o centro do universo, mas se movia ao redor do Sol.

25- Galilei, Galileu (1564-1642). Físico e astrônomo italiano. Inaugurou nova fase na história da ciência ao defender o racionalismo matemático como base do pensamento científico.

26- Newton, Isaac (1643-1727). Matemático, físico e astrônomo inglês. Suas descobertas e pesquisas representaram uma verdadeira revolução na história de diversas ciências.

27- Brahe, Tycho (1546-1601). Astrônomo dinamarquês. Lançou importantes bases metodológicas para o estudo dos corpos celestes.

28- Descartes, René (1596-1650). Filósofo francês. Criador do sistema filosófico conhecido como cartesianismo.

29- Gassendi, Pierre (1592-1655). Teólogo e filósofo francês. Tentou conciliar a teoria atomista da antigüidade com a crença cristã na imortalidade da alma, no livre-arbítrio e num Deus infinito.

30- Locke, John (1632-1704). Filósofo inglês. Teórico político, sistematizou o empirismo, que enfatiza a primazia da experiência no conhecimento.

31- Rousseau, Jean-Jacques (1712-1778). Filósofo e escritor francês nascido na Suíça. Sua apologia da justiça e dos instintos repercutiram na revolução francesa e na literatura do romantismo.

32- Arouet, François-Marie (1694-1778). Escritor francês. Uma das figuras mais influentes do pensamento europeu no século XVIII, notável por seu combate ao clericalismo e à intolerância.

33- Robespierre, Maximilien de (1758-1794). Político francês. Líder jacobino, uma das principais figuras da revolução francesa.

34- Danton, Georges-Jacques (1759-1794). Político francês. Participante da revolução francesa, notável orador e líder de massas.

35- Pasteur, Louis (1822-1895). Químico e bacteriologista francês. Inventor do processo conhecido como pasteurização, estabeleceu as bases para a moderna produção de vacinas.

36- Charcot, Jean-Martin (1825-1893). Neurologista francês. Seus estudos pioneiros sobre doenças nervosas influenciaram as idéias de Freud.

37- Freud, Sigmund (1856-1939). Psiquiatra e neurologista austríaco. Famoso por ter formulado os princípios teóricos da psicanálise.

38- Kardec, Allan (1804-1869). Hyppolyte Léon Denizart Rivail, professor e escritor francês. Codificador da Doutrina Espírita, também chamada de Espiritismo.

39- Zamenhof, Ludwig Lazar (1859-1917). Lingüista polonês. Criador do idioma internacional a que chamou Esperanto.

40- A convite da ONU, Divaldo Franco participou do I Encontro Mundial pela Paz, reunião de cúpula com líderes religiosos de todo o mundo – fato inédito na história da Humanidade – para debater e produzir uma proposta de paz.

41- A expressão Igreja Copta designa as comunidades cristãs do Egito e da Etiópia, que professam o monofisismo, ou seja, admitem para Jesus Cristo uma única natureza.

42- O atentado de 11/09/2001, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde as torres gêmeas do Word Trade Center foram destruídas por ato terrorista.

43- Divaldo referia-se à Síndrome Respiratória Aguda Severa, SARS, mais conhecida como pneumonia asiática, depois de uma primeira eclosão no sul da China em novembro de 2002 e de um surto inicial em fevereiro de 2003, manifestou-se em meados de março em Hong Kong, de onde se alastrou internacionalmente, tendo contaminado mais de 4 mil pessoas e vitimando cerca de 200 em 22 países. A origem da doença continua um mistério para os médicos. No dia 16 de abril de 2003, os cientistas confirmaram que a síndrome é provocada por uma variação do coronavírus, responsável também por casos de gripe comum.

44- Ataque e invasão Americana ao Iraque, sem permissão da ONU.