Aos Irmãos de Passo Fundo

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Convocados ao trabalho heróico de desbravar a terra dos corações para a sementeira do Cristianismo Restaurado, não nos detenhamos no pórtico das dificuldades.

Sem o primeiro passo ninguém logra o êxito na marcha, da mesma forma que sem a decisão da primeira palavra não conseguiremos a peça oratória.

Indecisão injustificada compromete a realização do bem operante. Conveniente não confundir prudência com comodidade.

Assumimos perante o Senhor da Vida a alta responsabilidade de desdobrar-lhe o pensamento nos dias tormentosos que vivemos…

Prometemos interligar o ideal da Verdade com o contributo do suor e das lágrimas, até o sacrifício pessoal…

Colocamo-nos à sua disposição para produzir em profundidade, libertando as consciências que jazem ergastuladas na escuridão da ignorância e nos porões infectos da criminalidade…

Fazemos parte do grupo responsável pela derrocada moral destes dias, quando, ontem, em posição diversa da que hoje desfrutamos, chafurdamos em fossos profundos de maldade e perversão…

Somos comparsas de males que ora nos chegam em forma de apelos aflitivos e inquietadores.

O conhecimento travado com a imortalidade é responsabilidade de alto porte que não podemos deixar repousar em justificativas lamentáveis e inoportunas.

Acidentalmente alguém pode ouvir o chamado para a lide evangélica, no entanto, a comunhão com Jesus e sua Doutrina é fruto de uma programação adredemente formulada…

Melhor será para nós morrermos pelo ideal cristão do que deixarmos morrer o ideal do Cristo nos corações, por desvitalidade e negaças…

Somos felicitados pela certeza da sobrevivência ao túmulo, como da antecedência ao berço.

Ignorar responsabilidades, porque alguns companheiros enganam e se enganam, porque outros erram e se comprometem, seria o mesmo que negar o sol porque a noite demorada parece vitoriosa sobre o dia…

O erro, o equívoco, a mentira não projetam sombra na verdade. Ao contrário, quem se compromete com a leviandade ignora, realmente, o dever, anestesia-se e padece a constrição da própria insânia e pusilanimidade…

Fitemos o Infinito, vicejemos com a luz, demandemos os horizontes sem limites do bem.

Abandonemos queixas, inquietudes, ressentimentos e instalemos, em definitivo, a epopéia da Doutrina Espírita nos países das almas, na pureza e grandiosidade com que Allan Kardec no-la ofertou, com sacrifício da vida e total renunciação.

Esta é a hora. Sirvamos! A imprensa – esta adversária da ignorância, da barbariedade, do absolutismo do poder nos seus múltiplos aspectos aguarda pelos novos vexilários do ideal Cristão.

Não deixemos que os mísseis aniquilem a vida, antes destruamo-los, com as letras móveis e eternas da cultura, vitalizadoras do amor…

O alfabeto bem ordenado possui mais poder do que todas as armas reunidas…

Falemos bem, pensemos bem, ajamos bem e cantemos o hino da caridade entre os homens…

A dor é nossa oportunidade de amar; a luta é nosso ensejo de definição, o sacrifício é nossa bandeira, a bondade nosso lema; mas Jesus é o Guia, hoje como ontem, concitando-nos ao bom combate…

Revivamos o jornal espírita, a mensagem espírita, a ação espírita, e a Terra se modificará. “O ORIENTADOR” dorme, esperando mãos, mentes e corações dispostos à sua ativação consoladora e missionária.

Confiando em Jesus e a Ele entregando-nos, d´Ele receberemos o que nos falta.

Avante, amigos queridos, inesquecíveis.

A morte não nos separou. Em nossa “Casa de Orações” escuto seus Espíritos e participo das suas ansiedades e das suas elucubrações. Emociono-me com as suas dores e sorrio com seus júbilos. Não estão a sós. Ninguém está sozinho, mesmo quando, aparentemente, a nau da vida parece singrar à deriva…

Orando por todos os irmãos queridos e os abraçando com a ternura de sempre, sou a irmã devotada,

Antonina Xavier e Oliveira.


(Mensagem recebida por Divaldo Pereira Franco em Salvador, em 01-01-74 e trazida pelo Irmão Edgard Gomes, que se encontrava presente na Mansão do Caminho, quando da sessão em que foi recebida).